domingo, 20 de maio de 2012

TEM JABUTI EM CIMA DA ÁRVORE



Certamente que meu artigo anterior (como muitos outros) desagradou algumas pessoas ou talvez não o tenham compreendido direito. No entanto, isso não me incomoda; ao contrário, fico até feliz. Posto que para provocar o desagrado seja imprescindível que o leia e esta é a uma das finalidades. Não engordarei ou emagrecerei um grama por conta do desagrado de alguns ou a incompreensão de outros. Uma das coisas da qual jamais abrirei mão é da minha independência. Não estou atrelado a partidos, associações, ONGs, movimentos, órgãos públicos, estatais, autarquias e etc. Jamais recebi favor, cargo ou numerário que não fossem legítimos, legais. Portanto, não tenho rabo preso com ninguém.




Para reforçar meu artigo de ontem (18.05.2012) quanto a pantomima que é essa tal de Comissão da Verdade basta ver a blindagem determinada pela CPI do Cachoeira aos governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ) do Rio de Janeiro, Marconi Perillo (PSDB-GO) de Goiás e Agnelo Queiroz (PT-DF) do Distrito Federal e da Construtura Delta em âmbito nacional. Só faltam agora excluir das investigações o senador Demóstenes Torres e o próprio Carlinhos Cachoeira e recomendar a dissolução da Polícia Federal por ser tão abelhuda. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi flagrado pela reportagem do SBT enviando mensagem “tranquilizadora” ao Cabralzinho, bem, isso contradiz o significado do nome deste “nobre” parlamentar. Isto quer dizer que instalaram a CPI justamente para proteger notórios larápios e pilantras. Neste caso os interesses políticos e econômicos não estão entrincheirados, ao contrário. A JBS assumiu o controle da Delta. Mas, pergunta inocente, porque assumiria o controle de uma empresa que está sob investigação? Mistério? Não. Patifaria. Fernando Cavendish está licenciado do Conselho de Administração da Delta como se isso pudesse apagar todas as lambanças que praticou. CPI no Brasil é tão útil quanto um bote furado no centro do oceano. Se CPI é fraudada, manipulada, direcionada, blindam e inocentam canalhas inveterados e o diabo a quatro (e a cinco, seis, sete...) imaginem com essa tal de Comissão da Verdade. Os fatos que envolvem esta CPI aconteceram ontem, estão fartamente documentados e apontam para os responsáveis não dará em nada para não fugir ao hábito, imaginem acontecimentos ocorridos durante a repressão no regime militar? E em dois anos de funcionamento, com poucos assessores, com membros que já se definiram como revanchistas, impregnados de ódio e, portanto, suspeitos.




Caso houvesse um mínimo de disposição de se “conhecer a história em sua plenitude” (no dizer pueril “do presidenta”) há um outro segmento que sempre foi negligenciado pela memória histórica brasileira do período: os militares que foram expurgados, perseguidos, presos e mortos que se colocaram contra o golpe e o regime que se seguiu. Salvo pouquíssimos trabalhos, estes jamais mereceram a atenção da mídia ou dos historiadores. Seus infortúnios não vendiam e não provocavam discussões acadêmicas. Outro segmento que não constam das preocupações da Comissão da Verdade e de seus “notáveis” membros são os professores que, no melhor dos casos, eram intimidados com a presença física de um censor enquanto ministravam suas aulas. Os trabalhadores de um modo geral que eram vítimas de um policiamento constante dentro de seus locais de trabalho, residência e lazer sempre a mercê dos “cachorros” (elementos que delatavam ao regime supostos subversivos infiltrados nas fábricas, escritório, vizinhança ou clube em troca de favores ou numerário). Há muito que se apurar e não será esta Comissão que dará conta disso. Está instalada para atender outros objetivos. Um deles é sacralizar a atuação dos guerrilheiros. Talvez venham a sugerir a canonização de Carlos Lamarca, Maringuela, etc. O sentimento de revanche é tão notório que a “o presidenta” na cerimônia de instalação da Comissão afirmou que para os crimes de tortura, sequestro, assassinato e ocultação de cadáveres não haverá perdão. Ora, isso sinaliza que a Lei da Anistia (Lei 6.683 de 28.08.1979) poderá ser alterada, eis um dos objetivos entrincheirados e, caso não conseguiam este intento, com certeza promoverão e estimularam o esculacho como já vem acontecendo. Mas caso modifiquem a Lei da Anistia não será para punir os militantes da esquerda, mas os militares e agentes do Estado. Certamente que tal assertiva presidencial não foi bem recebida nas Forças Armadas que, aliás, já se encontram em rota de colisão com o governo desde a publicação em fevereiro deste ano do Manifesto dos Clubes Militares. Na fala presidencial também exaltou aqueles que “bravamente enfrentaram a truculência da ditadura”, mas não fez qualquer menção sobre a truculência que também era praticada pelos “guerrilheiros” não só contra militares, mas também contra civis dos quais desconfiassem que pudessem ser delatores, que não lhes davam guarita ou se interpusessem em seus caminhos involuntariamente.



Vamos aguardar para ver se hão de querer apurar denuncia de violação de direitos humanos, assassinato, cárcere privado, sequestro, ocultação de cadáver, etc. de qualquer cidadão, civil ou militar, contra os “guerrilheiros”. Claro que não. Notadamente quando se tratar de um facínora que hoje está em posição de poder e se já estiver morto pior ainda. Mas contra os militares e agentes do Estado, vivos ou mortos, a espinafração será ampla, geral e irrestrita. Serão dois pesos e duas medidas como, aliás, é muito corriqueiro nesta República tupiniqueira. Não é preciso ter bola de cristal para saber que a bodega funcionará desta maneira. Esta Comissão está atrasada há quase trinta anos e o que já foi destruído dos arquivos ou surrupiado é uma grandeza. Não esqueçam que o fim do regime militar foi negociado e, portanto, houve tempo suficiente para isso.



Não bastam as indenizações e aposentadorias milionárias concedidas até mesmo para alguns que jamais sofreram qualquer tipo de tortura (moral, física ou psicológica), perseguição, impedimento ou restrição do exercício profissional como o ex-presidente Lula. Outros como o presidente João Goulart (1919-1976) que foi deposto pelo golpe de 1964 só foi anistiado em 2008 e concedida uma indenização de R$ 100 mil e uma pensão para sua viúva de R$ 5.425. A Comissão também almeja proporcionar a “cumpanheirada” mais oportunidades de ganho farto e fácil à custa do mais que depenado contribuinte. A Comissão Nacional da Verdade é o jabuti que o PT colocou na árvore.





CELSO BOTELHO



20.05.2012



















quinta-feira, 17 de maio de 2012

COMISSÃO DA VERDADE. MAS, AFINAL, QUAL SERÁ A VERDADE?




Para quem acompanha este blog sabe perfeitamente da minha repulsa por qualquer regime autoritário, portanto jamais poderei ser acusado de ter pertencido, ser simpático ou omisso com a ditadura militar que se seguiu ao golpe de 1964. Pelo contrário, sempre o combati. Quando se trata de apurar crimes praticados durante aquele período não há como se deixar de fora um dos lados. O governo brasileiro praticava o terrorismo de Estado e seus opositores engajados em movimentos armados praticavam o terrorismo clandestino (porque só havia um Estado) e, no final, os crimes eram os mesmos: assalto, tortura, execução, desaparecimento, atentados, etc. A Comissão da Verdade foi instituída para apurar apenas os crimes praticados por agentes do Estado então vai a pergunta do título: mas, afinal, qual será a verdade? Uma verdade parcial, tendenciosa e revanchista. A coisa começou mal com a aprovação da Lei da Anistia (Lei 6.683 de 28.08.1979) quando foi proposto um acordo no qual ambas as partes se comprometeram a passar uma borracha no passado e cuidarem de suas vidas dali para frente. Os signatários desse acordo tácito que faria os militares retornarem para os quartéis (de onde jamais deveriam ter saído) foram as lideranças civis da época e os militares que temiam uma caça às bruxas tão logo os civis se apoderassem do Estado. O regime militar, portanto, não foi derrubado, seu fim foi uma concessão fundamentada na Lei de Anistia. Os civis, loucos pelo poder e em jejum há duas décadas, submeteram-se. Hoje o Estado está tomado pelo que sobrou daquela gente que diz que combateu o regime militar e desejam obter dividendos políticos e econômicos com esta farsa que é a Comissão da Verdade. Essa gente que se arvora de ter combatido à ditadura (Dilma Rousseff, José Serra, Tarso Genro, Franklin Martins, Fernando Gabeira e outras tralhas) naquela época pertenciam a organizações stanilistas e maoistas e jamais defederam o Estado Democrático de Direito ou qualquer valor que se aproxime. Pelo contrário, desejavam substituir uma ditadura por outra. Ora vejam, quanta cara de pau!


Agosto de 2010

“O presidenta”, por exemplo, teve sua participação na luta armada super dimensionada provavelmente por bajuladores, marqueiteiros e outros parasitas. Não há nenhum relato de contemporâneos seus ou documento que dê alguma pista de que fosse uma peça chave no COLINA (Comando de Libertação Nacional) ou na VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) Caso fosse não estaria aqui para contar a história e muito menos na presidência da República. Até a redução de sua pena pelos militares deve ser vista com desconfiança, pois, afinal, se era tão importante assim para o movimento armado porque cargas d’água os militares foram tão benevolentes? Segundo o general Leônidas Pires Gonçalves teve um desses “guerrilheiros” que recebeu Cr$ 150 mil para delatar. Joaquim Silvério dos Reis e Judas Iscariotes fizeram escola e tudo pelo pelo vil metal, afinal ambos receberam 30 moedas de ouro. Mas Joaquim Silvério dos Reis soube valorizar bem sua delação, pois além das moedas obteve o cancelamento de seu débito, um cargo público de tesoureiro da bula de Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, uma mansão para morar, pensão vitalícia, título de fidalgo da Casa Real, fardão de gala e hábito da Ordem de Cristo, sendo até recebido em Lisboa pelo princípe regente D. João. Enquanto Judas... bem, segundo consta, enforcou-se. Caso pense em ser um desgraçado de um dedo-duro que, pelo menos, faça como o Joaquim: tire bastante proveito da delação. Bem, a Dilma só se tornou presidente devido a dois fatores fundamentais: primeiro, a imensa popularidade do ex-presidente Lula, O Ignorante Desbocado, porque ele quem ganhou a eleição. Segundo, pela ausência absoluta de concorrência que, aliás, permanece. De qualquer maneira...



A Comissão da Verdade tem sua atuação focada entre os anos de 1946 e 1988 para esclarecer crimes e violações dos direitos humanos num prazo de dois anos. Apurar quarenta e dois anos em dois é, deveras, uma tarefa épica para um país que sequer consegue solucionar um homicídio como o de PC Farias em 1996, do prefeito Celso Daniel em 2002 ou julgar os réus do escândalo do Mensalão (uma das maiores patifarias da Republica) onde, certamente, estão entrincheirados interesses políticos e econômicos. Essa Comissão da Verdade não passa de um circo armado para atender os mesmos interesses e outros mais inconfessáveis. O Partido dos Trabalhadores defender lisura e transparência é a mesma coisa que traficante defender a pena de morte e a prisão perpétua para seus crimes. Na instalação da Comissão “a presidento” até chorou, mas isso não é novidade porque, sabemos, os crocodilos também choram ao exercer uma forte pressão de suas mandíbulas na presa. Comissão Parlamentar de Inquérito, as famigeradas CPI, que são relativamente mais fáceis para investigar e apurar os desvios tradicionalmente não dão em nada imaginem uma Comissão da Verdade aparelhada pelo PT no que irá dar.



Vamos ver seus membros. José Carlos Dias, ex-ministro do governo FHC entre 1999 e 2000 concedeu uma entrevista a revista Isto É (nº 1582 de 25.01.2000), ainda como ministro, onde declarava ser favorável as mulheres exibirem seus seios na praia. Até ai nada contra. Também sou a favor, porém, ele era o ministro da justiça e não eu. Mas o pior é quando o repórter pergunta se é a favor de acabar com o porte de arma e responde: “claro. Com isso vamos é tirar arma do bandido (não sabia que bandido possuía porte de arma). O cidadão de bem não tem que andar armado. Na realidade, a arma é para profissional. E quem são os profissionais: bandido e polícia. Esses sim sabem usar arma.” Bem, para quem defendeu o mega especulador Naji Nahas... cidadão de bem tem mais é que...


Atentado no aeroporto de Guararapes, 1966

Cláudio Fonteles foi procurador-geral da República no governo Lula de 2003 a 2005 e pertenceu a organização de esquerda Ação Popular (AP) de tendência maoista-cristão (não sei como conseguiram unir uma coisa à outra, mas vá lá que seja). Em 1966 a AP praticou um atentado no aeroporto dos Guararapes, Pernambuco, visando o general-eleito presidente da República Costa e Silva que, devido a uma pane no avião, seguiu por via terrestre. O atentado, segundo Jacob Gorender (Combate nas Trevas, página 122 e seguintes), teve como mentor o ex-padre católico Alípio de Freitas, militante da AP matando o jornalista e secretário do governo de Pernambuco Edson Régis de Carvalho e o vice-almirante reformado Nelson Gomes Fernandes além de ferir e mutilar outras pessoas. Diz com quem andas e eu te direi quem és.



Gilson Dipp é ministro do STJ escolhido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, integrou o TRF da 4ª Região via quinto constitucional e novamente escolhido para a tal Comissão tornando-se seu coordenador. É um sujeito que caiu nas boas graças dos poderosos e sempre é escolhido.




Outro membro notável da Comissão é José Paulo Cavalcanti Filho atuou como ministro da justiça no governo Sarney, de triste memória, aliás. Este, pelo menos, considera que a lei não especifica se a investigação recairá sobre os crimes da esquerda ou os crimes estatais. Menos mal.



Para reforçar o Clube da Luluzinha “do presidenta” temos sua ex-advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha que, segunda consta, chegou a ficar completamente nua antes da visita a alguns clientes (quer seja, “líderes” de esquerda) diante dos militares o que, deveras, deve ter sido constrangedor... para ambos. Esse membro já assumiu sua posição publicamente: “ Não tem essa história de dois lados, porque o outro lado (os stalinistas, maoistas, castristas e outros diabos) já foi condenado, assassinado, desaparecido.” Esta afirmação soa muito mal, pois, afinal não é “o outro lado” que está no poder? Ou Tarso Genro, Fernando Gabeira, Dilma Rousseff, Franklin Martins, Wladimir Palmeiras, José Dirceu, José Genuíno e outros trastes eram militares? Então nem todos foram condenados, assassinados e desaparecidos. Quem dera.




Outra representante do Clube da Luluzinha é a psicanalista Maria Rita Kehl que foi editora do jornal Movimento, de oposição ao regime militar. É bom que se diga quem participava deste jornal. Fernando Henrique Cardoso, até então marxista; Perseu Abramo que exerceu função jornalística no Jornal dos Trabalhadores, do Partido dos Trabalhadores (A Fundação Perseu Abramo é vinculada ao partido “da presidento”); Chico Buarque de Holanda, também petista; Fernado Peixoto, foi membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro, entre outros. Pode-se concluir a imparcialidade desta notável membro de tão supimpa Comissão. Para esta senhora os crimes cometidos pelo regime militar e recalcados socialmente influem na prática da corrupção. Ora vejam, antes do regime militar não havia crimes e corrupção. E eu não sabia disto. Quer dizer que os políticos são corruptos só de raiva dos militares? Que coisa!




Em matéria de violação dos direitos humanos Paulo Sérgio Pinheiro tem experiência: atuou como relator especial dos direitos humanos em Mianmar nomeado pela desacreditada ONU. Ano passado liderou as investigações internacionais na Síria, só não sabemos o resultado dessas atuações. Celso Amorim também é diplomata e só fez lambanças no ministério das Relações Exteriores e só não faz na Defesa porque é elemento decorativo, pois o Clube Militar – voz do pessoal da ativa – não reconhece sua legitimidade e autoridade. Mas isso não importa. Naquela área do planeta o conflito foi estabelecido logo após o Big Bang. O que conta que ao criticar a decisão do STF pela manutenção da Lei da Anistia expressou publicamente seu desejo de vê-la modificada de forma que pudesse punir os criminosos, só não sabemos de qual lado, posto que existissem em ambos.



Dilma no STM


Ficha da "guerrilheira" Dilma

A tal Comissão da Verdade está ou não está devidamente aparelhada? Na cerimônia de instalação desta bodega “o presidenta” disse, textualmente: “Ao instalar a Comissão da Verdade não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu, mas nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem camuflagens, sem vetos e sem proibições”. Para inicio de conversa a História não tem uma verdade, muito menos em sua “plenitude”. Somente reconstituimos parcialmente fragmentos daquilo que aconteceu, isso considerando que o historiador se esforçe muito nas pesquisas e na interpretação e ainda assim cometerá excessos e omissões. Então essa conversa de verdade só pode ser entendida como aquela que os donos do poder querem que seja, isto é, os petistas & associados (o PT tem a capacidade de associar porcarias, mas isso não quer dizer que os demais partidos também não tenham a mesma capacidade). Se isso não é revanchismo e ódio preciso reelaborar estes conceitos segundo os critérios presidenciais. Já que é para não ocultar, camuflar, vetar ou proibir sugiro que os militantes das inúmeras organizações clandestinas sejam trazidos às barras deste Tribunal Inquisitor para explicarem os sequestros, assassinatos, torturas, assaltos, arrobamentos, atentados, etc. à luz da verdade como quer a suprema mandatária da nação tupiniqueira. Ora, quer saber de uma coisa? Vão lamber sabão...



...sem fazer bolhas


CELSO BOTELHO

17.05.2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

QUEM DISSE QUE A ESCRAVIDÃO ACABOU?





O trabalho escravo no Brasil é histórico. Mesmo antes dos primeiros navios negreiros aportarem nestas terras a exploração do homem pelo homem já era praticada na colônia. A abolição da escravatura não o extinguiu, pelo contrário, democratizou a prática. Sim. Democratizou. Antes da Lei Áurea era legal manterem-se somente os negros em cativeiro obrigados a trabalhar e, simultaneamente, o Estado imperial tolerava que também os não africanos e afrodescendentes fossem escravizados pelas oligarquias, pela burguesia urbana ou por “homens de posses”, visto que se omitia e, sabemos, omissão é demonstração de conivência e estímulo para a prática de algo tão abominável. Após a lei de 1888 e até nossos dias não mais importava a cor da pele. Bastava ser pobre que estaria enquadrado em regime de trabalho em condições análogas à escravidão. Devemos concordar que foram efetivadas muitas conquistas para os trabalhadores durante o século XX. Como também reconhecemos que outras tantas foram descaradamente reduzidas, eliminadas e distorcidas por governos de vários matizes (ditatorial, social democrata, esquerda deslumbrada e outras baboseiras).





Em 30 de outubro de 2011 escrevi neste blog artigo sob o título de “Trabalho Escravo no Brasil” e vale a pena transcrever algumas de suas partes. Para começar o artigo recorro a uma frase de Abraham Lincoln (1809-1865) “SE A ESCRAVIDÃO NÃO É CRIME, NÃO HÁ CRIMES.” Não pense que sou adepto de teorias apocalípticas, mas naquela oportunidade disse: “O Estado brasileiro vai além da sua função constitucional coercitiva mantendo e ampliando o contingente de excluídos ao não reconhecer-lhe plenamente as demandas e não constituir instrumentos que as atendam. O Estado brasileiro é preconceituoso, presunçoso e discriminatório, entre tantas outras más coisas. Está tão contaminado que deve ser repensado sob pena de, inevitavelmente, dentro de pouco tempo, tenha que enfrentar conflitos sociais de proporções inimagináveis.” E mais “Segundo relatório da ONU já existe cerca de 2,4 bilhões de seres humanos abaixo da linha de pobreza (equivalente a população da China e da Índia) e, a menos que se repense o sistema globalizado, a ruína será inevitável num efeito dominó trágico. 2,4 bilhões de pessoas escravas da miséria, da dor e do sofrimento sem qualquer perspectiva de sobreviverem dignamente, posto que lhes neguem todo o resto, não serão detidas por nenhum meio conhecido, seja ele violento ou doutrinador.” Não temos ilusão alguma de que enquanto o Estado brasileiro não for repensado nada verdadeiramente de concreto poderá ser feito para reduzir a concentração de renda e as gritantes desigualdades sociais. E somente a sociedade poderá promover as transformações que se fazem necessárias e urgentes. Os poderes constituídos da República encontram-se apodrecidos, inúteis e só se prestam ao atendimento das exigências de uma minoria, quer para a manutenção de seus privilégios ou a expansão destes. Não sonhamos com criaturas celestiais no governo, porém é inaceitável que todos os demônios lá se instalem. Neste artigo apontei diversos parlamentares acusados e flagrados praticando trabalho em situação semelhante à escravidão tais como o deputado federal João Lyra (PTB-AL), deputado federal Camilo Cola (PMDB-ES), José Rolim Filho (PV-MA) prefeito da Cidade de Codó a 292 km. de São Luiz, o ex-deputado estadual Jorge Picciani (PMDB-RJ) e o ex-senador Carlos Patrocínio (PMDB-TO). No mesmo artigo nomeei políticos que receberam doações de empresas envolvidas na prática de trabalho escravo. As “beldades” são: Marcelo Deda (PT-SE), Ana Julia Carapeba (PT-PA), Eunício de Oliveira (PMDB-CE), Olavo Calheiros (PMDB-AL), Aberlado Lupion (DEM-PR), Giovanni Queiroz (PDT-PA), Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS), José Maranhão (PMDB-PB), José Sarney (PMDB-AP), Luiz Escórcio (PMDB-MA), Garibaldi Alves (PMDB-RN). Porém, há muito mais do que isso.





Agora os jornais dão conta que o Ministério Público do Trabalho de Campinas, São Paulo, libertou cerca de 90 operários foram encontrados em situação análoga à escravidão na obra do “Minha Casa, Minha Vida”. O MP instaurou inquérito e a obra está embargada. Segundo os trabalhadores eram obrigados a cumprir 15 horas de trabalho diário sem pagamento salarial. Os alojamentos possuíam condições de higiene lamentáveis. Todos os operários são oriundos do Piauí e Maranhão aliciados para esta obra pela empresa encarregada da construção de forma ilegal. Este projeto é abastecido com verbas do ministério das Cidades, criado pelo ex-presidente de direito e atual presidente de fato Luiz Inácio Lula da Silva, O Ignorante Desbocado, e Caixa Econômica Federal ou Caixa de Pandora, ninguém sabe o que pode sair dela. No fim, os devaneios, as demagogias e alucinações petistas são sustentadas pelo indefeso e espoliado cidadão-contribuinte.





Nos últimos dez anos foram libertados cerca de 38.000 brasileiros que trabalhavam em áreas rurais em regime idênticos aos de escravidão. Mas na área urbana o problema também acontece. O governo mantém um cadastro público com o nome de 291 empregadores que mantinham trabalhadores nesta situação. Segundo o ministério do Trabalho e Emprego entre 1995 e março deste ano foram resgatados pouco mais de 42.000 trabalhadores. Estamos longe de termos abolido o sistema escravocrata. Aliás, para ser mais preciso, a humanidade não o aboliu em nenhum momento de sua História nos cinco continentes que ocupa, apenas deu-lhe outras roupagens. Não é só o sistema capitalista que prima pela exploração do trabalho alheio. A maioria dos seres humanos não é agraciada nem com as migalhas que caem das mesas fartas de uma minoria escandalosamente rica, mesquinha, preconceituosa e discrimintória. Mas isto é outra discussão.





Há dez anos está tramitando a PEC 438/01 e determina o confisco de terras onde for constatada exploração de trabalhadores em condições análogas à de escravidão. Aprovada pelo Senado e pela Câmara, em primeiro turno, mas aguarda a segunda votação em segundo turno na Câmara desde agosto de 2004. Esta segunda votação aconteceria na terça-feira passada (dia 8), foi adiada para ontem (dia 09) e agora só o Criador sabe quando será. A bancada ruralista não está disposta a aceitar qualquer confisco de terras, seja a que título for (reforma agrária, débitos fiscais ou tributários, trabalho escravo ou para a construção do Jardim do Éden). Portanto, se alguém tem alguma esperança que PEC do trabalho escravo pare de criar mofo nas gavetas de nosso “honorável” parlamento recomendo tirar o cavalo, o jumento e o jegue da chuva. Contudo, torço para estar enganado.




Este fato, principalmente envolvendo o demagógico projeto do governo petista, revela que os pseudo-comunistas, socialistas, stalinistas, maoístas, castristas e outras aberrações de ontem são os mais velhacos e ordinários capitalistas de hoje. Caso houvesse um acompanhamento minimamente sério do ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal, Ministério Público, ministério do Trabalho e demais entidades teoricamente responsáveis com certeza que a prática de trabalho escravo não estaria acontecendo país a fora. Mas o governo petista vive de marketing. Pagam somas astronômicas para saírem bem no filme ludibriando, manipulando e afirmando inverdades. No governo petista, de Lula e Dilma, falta desde competência até e, principalmente, honestidade. É mentira?



CELSO BOTELHO

10.05.2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

domingo, 4 de março de 2012

CUTUCAR LEÃO COM VARA CURTA




Muito bem. “O presidenta” Dilma Rousseff encontrou cifre de boi na cabeça de jacaré. Bem feito. A lista de militares descontentes só faz aumentar. O manifesto (“Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão”) começou com 96 assinaturas, mas quando “a presidento” resolveu anunciar que os puniria pulou para 235 e já ultrapassa as 380 assinaturas e, entre eles, 42 oficiais-generais sendo dois deles ex-ministros do Superior Tribunal Militar. Continuando assim em pouco tempo todo o efetivo (ou boa parte dele) das Forças Armadas estará solidário ao manifesto e, neste caso, eu não gostaria de estar na pele “do presidenta” porque há de enfrentar sérias dificuldades. A lei 7.524 de 17.07.1986 diz textualmente, “Art. 1º Respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público.” A Súmula 56 do STF aprovada na sessão plenária de 13.12.1963 determina “militar reformado não está sujeito à pena disciplinar.” Dilma Rousseff está querendo inventar o que? A roda? Somente mesmo a arrogância e a prepotência podem justificar a atitude “do presidenta” ao manifesto dos militares. Definitivamente esta “gente” (PT e pocilgas associadas) não está preparada para o convívio entre os contrários, a democracia, a tolerância e o dialogo. São tão truculentos quanto os generais que tanto criticaram e denunciaram ou mais, pois se valem do Estado de Direito para distorcê-lo e impor seus interesses políticos e econômicos. Essa gente só tem capacidade de governar caso toda a população fosse de robôs programados para adorá-los e servi-los incondicionalmente. Olha, por muito menos os militares deixaram a caserna para interferir na política, a começar pela própria proclamação da República. Mas os tempos são outros e as mentalidades também. A geração de generais golpistas não existe mais. Porém, isto não quer dizer que não tenham feito escola, pelo menos para criar embaraços.





Essa Comissão da Retaliação, também chamada de Comissão da Verdade, pode vir a ser o estopim de grandes dificuldades para o governo petista a começar pelos sete membros que serão designados “pela presidento”. Torço para quem nenhum historiador, se convidado, aceite. Mesmo que esta Comissão estivesse se propondo a apurar os fatos e acontecimentos com a mais absoluta imparcialidade e para ambos os lados visando somente contar a história ainda assim a presença de um historiador não se justificaria. Não estamos negando o terrorismo de Estado, porém porque não apurar os crimes praticados pelos guerrilheiros que são idênticos (assassinatos, desaparecimentos, tortura, sequestro, justiciamentos, assalto, etc.)? Dilma Rousseff, reiteradas vezes afirmou que fora torturada sistematicamente nas dependências do aparelho repressor montado pelos militares, no entanto, não há provas disso ou seqüelas físicas e psicológicas que indiquem este fato. Aliás, ela teve até sua pena diminuída pelo regime militar. Por quê? De repente os milicos foram com a sua cara? Tiveram peninha? Não. Guerrilheira do calibre de Dilma não receberia tratamento tão especial sem dar alguma coisa em troca como, por exemplo, nomes, aparelhos e pontos. Porque a maioria dos guerrilheiros já chegavam às dependências do DOI-Codi se borrando pelas pernas abaixo e logo cantavam. Eram muito valentões em liberdade, intimidando gente inocente, assaltando bancos, casas comerciais, sequestrando, explodindo bombas que matavam e feriam homens, mulheres, crianças, idosos para atingir seu alvo. Esse pessoal está de fora da piada que é a Comissão da Verdade? Está. Porque foi inventada para dar inicio a uma retaliação oficial de pseudo-comunistas frustrados, incompetentes, incapazes de sequer unirem-se num único bloco para alcançar o diabólico fim que era implantar uma ditadura no estilo stalinista. E eles sabem disso. Estão no governo beneficiados com a Lei da Anistia que sonham em revogar. São tão incompetentes que só se deram conta do golpe quatro anos depois de 1964 quando os militares já haviam se apossado totalmente do Estado brasileiro consolidado sua presença e sofisticado seus meios de repressão. Vai ter gente querendo me rotular de direita e vou logo avisando que isso é besteira. Repudio qualquer tipo de ditadura, ditador, arremedos de ditador e candidatos ao nefasto cargo. O que não posso aceitar é usar a investigação histórica como fachada para “acertos de contas”. Não havia santos nem de um lado nem de outro. Os mesmos que defendem a crucificação dos militares (vivos e mortos) aceitaram a Lei da Anistia incondicionalmente, foram reintegrados à vida pública e esperaram trinta anos para se apoderar do poder para consumarem sua vingança pessoal. Na ocasião da promulgação da Lei da Anistia não concordei com os termos como ainda não concordo passados mais de trinta anos. No entanto, ela foi aprovada e está em vigor, portanto, cumpra-se. É ou não um caso de retaliação premeditada? O leão não está morto e, sendo assim, não creio que devamos cutucá-lo com vara curta.





As Forças Armadas vêm sofrendo retaliações desde que acabou o regime militar sendo sucateada, com salários aviltantes, desautorizadas, manipuladas e até chefiadas por políticos, politiqueiros e apaniguados de reputação questionável, incompetência comprovada e interesses duvidosos. Quanto a isso já dei nome aos bois em matéria publicada em 05.08.2011 (Ministério da Defesa: A Eterna Troca de Lambões). No entanto vou reproduzir um parágrafo do referido artigo e depois concluam porque os militares não reconhecem autoridade em Celso Amorim: “Desta feita nomeiam o ex-ministro lambão das Relações Exteriores Celso Amorim que apoiou a ditadura do Sudão e Cuba, entregou a Hidroelétrica de Itaipu para o Paraguai, deu de mão beijada nossas refinarias na Bolívia, não prestou homenagem a Theodor Herzl (1860-1904), jornalista judeu austro-húngaro que se tornou fundador do moderno Sionismo político, em Israel, mas depositou flores no túmulo de Yasser Arafat (1929-2004) e apoiou o débil mental do Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. Não parou ai. Na UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) apoiou o egípcio anti-semita Farouk Hosni que declarou não hesitar em queimar pessoalmente livros israelenses que encontrasse em qualquer biblioteca do Egito, desprezando o brasileiro Márcio Barbosa por motivos políticos e ideológicos, que contaria com o apoio dos Estados Unidos e dos países europeus. Em 2005 tentou eleger para a OMC (Organização Mundial do Comércio) Luis Felipe de Seixas Corrêa e o único país que votou no Brasil foi o Panamá. No mesmo ano tentou eleger nosso velho conhecido João Sayad para a presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e dos nove membros só quatro votaram no Brasil sendo que do Mercosul apenas a Argentina. A política externa brasileira na gestão de Celso Amorim está recheada de fracassos, concessões, conivências, conveniências, contradições e estupidez. Em 2006 o Brasil votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), porém em 2005 negou-se a condenar o governo do Sudão por proteger uma milícia genocida que praticara um massacre em Darfur (Até meados de 2006, entre 150 e 200 mil pessoas haviam sido mortas e pelo menos dois milhões haviam fugido). Em 2009 o Brasil cede sua embaixada em Honduras para abrigar sorrateiramente Manuel Zelaya ficando por lá quatro meses. O Itamaraty declarou que não toleraria governo golpista em Honduras e, logo a seguir, reuniu-se, reconheceu e confraternizou-se com os mais perversos ditadores africanos – responsáveis por inúmeros massacres étnicos. Baniu a língua inglesa como necessária para o cargo de embaixador e como eliminatória no exame de carreira. Não esqueçamos os fracassos inexplicáveis em relação às negociações de Doha. Dos 35 países que participaram o Brasil, certamente, foi o mais prejudicado. Nos últimos anos abandonou-se a formulação de acordos bilaterais apostando na multilateralidade da OMC. Em 2001 a estratégia brasileira era de que os países emergentes se unissem para pressionar os desenvolvidos. Em 2003 patrocinou a criação do G-20 que deveria agir unido para uma queda de braço com os países desenvolvidos. Em 2004 caiu a ficha que seus interesses aproximavam-se muito mais dos países desenvolvidos do que com os seus parceiros tradicionais então virou a cassaca e, com o fracasso da Rodada de Doha, ficou mal com todo mundo. Com um histórico desses não é preciso ser muito esperto para saber que devemos aguardar mais lambanças no ministério. Os militares já classificaram a escolha do novo ministro “como a pior possível” que a presidente poderia ter feito e isso se deve as posições ideológicas do novo titular. Segundo eles, Celso Amorim, quando nas Relações Exteriores, contrariou “princípios e valores” dos militares e isso não é bom, pois, afinal o leão pode estar moribundo, mas não morreu.”





Matéria publicada no blog Tribuna da Internet em 29.02.2012 dá conta de que o desastre na Estação Antártica Comandante Ferraz estava anunciado desde 2006 quando “o oficial de reserva da Marinha Antonio Sepulveda alertou, em artigo, sobre o estado de severa degradação em que se encontrava a estação, com o sistema elétrico defeituoso e vários outros problemas. No texto, publicado pelo Jornal do Commercio, Sepulveda afirmou que a estação não recebia manutenção adequada e que seu orçamento começou a sofrer cortes desde o início da década de 1990. “Alguns sistemas vitais se encontram comprometidos: rede de esgoto, proteção contra incêndios e transferência de energia elétrica”, escreveu. De acordo com o militar, em 2006, três tanques de combustível desabaram por conta de bases apodrecidas, o que poderia ter causado derramamento de óleo.” Mas não é preciso sair dos grandes centros urbanos para se constatar o quanto estão abandonadas as Forças Armadas. O governo petista (leia-se Lula e Corriola) talvez estejam pensando em substituir as Forças Armadas pelo MST (Movimento dos Sem-Terra), uma vez que este já é braço armado do PT. Nunca se sabe. Certamente também devem acariciar a idéia de rasgar a Constituição Federal, afinal de contas este é um dos esportes favoritos dos políticos, além da corrupção, é claro. Essa tal Comissão da Verdade foi criada como mecanismo legal para atender interesses pessoais, mesquinhos e inconfessáveis. E os militares estão corretos em posicionarem-se contra as declarações das ministras Maria do Rosário, Eleonora Menicucci e criticarem o aplauso de Dilma Rousseff a esta última e não reconhecendo a autoridade de Celso Amorim como coisa alguma, exceto um adorno de mau gosto.





CELSO BOTELHO

04.03.2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

ALÉM DO SUCATEAMENTO DAS FORÇAS ARMADAS AGORA TAMBÉM A RETALIAÇÃO DO GOVERNO PETISTA

Dilma Rousseff, guerrilheira, sendo interrogada pelos militares





Dilma Rousseff, ex-guerrilheira, presidente da República


Como diz um amigo meu: “é o tal negócio, pimenta no rabo dos outros é refresco.” Digo isso por conta do imbróglio envolvendo as Forças Armadas, “o presidenta-faz-de-conta” Dilma Rousseff, Celso Amorim, O Adorno (de muito mau gosto), no ministério da Defesa. Quebra de hierarquia, onde já se viu? O presidente da República, mesmo sendo o Comandante em Chefe das Forças Armadas, não é infalível, não está acima da lei, do bem ou do mal. Ninguém me contou ou li em algum livro, mas não me recordo de qualquer guerrilheiro de meia pataca ou as organizações a que pertenciam de haverem tratado os presidentes-generais com qualquer condescendência. Pelo contrário, até em suas vidas pessoais buscavam argumentos para seus vis propósitos, quer seja, implantar uma ditadura stalinista, maoísta, castrista ou outro diabo qualquer. Esta cambada de trastes está no poder beneficiados por uma Lei de Anistia capenga acordada entre civis e militares onde se propôs “o esquecimento” com o insólito argumento de pacificar o país. Não fosse isso Dilma Rousseff não seria presidente de coisa alguma, bem como outras tralhas do PT e adjacências. Os crimes praticados por ambos os lados deveriam se apurados e seus responsáveis levados aos tribunais para julgamento. Qualquer coisa diferente disso é acordo entre safados. Fui, sou e serei um ferrenho opositor a toda e qualquer ditadura, seja de esquerda, direita, centro, civil ou militar e aquelas que ainda vão inventar. No entanto, o governo petista demonstra cabalmente sua disposição de retaliação, revanche, vingança contra os militares. Não bastam os governos desde 1985 sucatearem as Forças Armadas (tai o incêndio na Base da Antártica Comandante Ferraz) agora desejam proibir que militares da reserva exerçam o direito constitucional de liberdade de expressão. Ora, se Dilma Rousseff e seu mentor-padrinho-inventor Lula não sabem conviver com críticas que fiquem em casa fazendo crochê, tricô ou bordado. Com críticas e denuncias o governo petista revelou-se o mais corrupto em toda história Republicana, imagem se a Lei da Mordaça tão apreciada pelo ex-presidente Lula, seu ministro (sic) das Comunicações Franklin Martins e algumas centenas de pulhas fosse aprovada? Ai seria o governo mais corrupto do planeta e quiçá do Sistema Solar. Mas o que esperar dessa gente que desejava implantar um ditadura nos moldes da ex-URSS?


Eleonora Municicci, ex-guerrilheira, "crítica exacerbada aos militares" enquanto isso...

Centenas e mais centenas de mulheres são violentadas dentro e fora de casa



Maria do Rosário em sala refrigerada, com água gelada e cafezinho enquanto isso...


os direitos humanos de milhares de brasileiros, crianças ou não, são diariamente violados



A ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário e a ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci podem dizer qualquer bobagem? Podem atacar os militares, serem aplaudidas “pelo presidenta” sem que recebam resposta? De acordo com os militares Maria do Rosário vem apregoando a possibilidade de apresentação de ações judiciais para criminalizar agentes da repressão e Eleonora, no discurso por ocasião de sua posse, teria feito “críticas exacerbadas aos governos militares”. Diante disso pergunto: estas senhoras desconhecem o teor da Lei de Anistia de 1979? Não. Estão autorizadas ou são estimuladas “pela presidento”? Não sei, mas que Eleonora foi aplaudida por Dilma isso foi. Posso estar na contramão, porém esta Comissão da Verdade é o veículo inventado pelos petistas para promoverem uma retaliação oficial contra os militares. Como estudioso da História repudio e rejeito essa joça. A ditadura do Estado Novo foi muito pior e ninguém quer resgatar história alguma. Essa tal Comissão da Verdade irá apurar os mais de 120 assassinatos cometidos pelos guerrilheiros? É puro revanchismo. E notem que quem está escrevendo neste momento foi um ácido crítico e opositor ao regime militar (há quem me rotule de direita, ora vejam só!) Quanto a não reconhecer autoridade no ministro Celso Amorim não poderiam mesmo, afinal uma das condições para sua nomeação foi de ser, apenas, um adorno no ministério. Aliás, com exceção do ex-presidente José Alencar, só teve lambão neste ministério desde que foi criado. Ao invés de ficar doída pelas críticas “o presidenta” deveria dar mais atenção ao governo que comanda e dar andamento aos projetos que beneficiem à população e fazer funcionar a saúde, educação, transportes, segurança pública, habitação, etc. Deveria, para ser mais sucinto, começar a governar o país, de preferência sem ministros corruptos, acordos espúrios, alianças inconfessáveis, conchavos e cambalachos.


Farinha do mesmo saco, com todo respeito ao saco


Esta raça de petistas, ex-guerrilheiros de meia pataca, simpatizantes, cúmplices e demais malfeitores sonham em governar com uma ditadura stalinista. A Lei da Mordaça e a Lei das Comunicações e a ameaça “da presidento” em punir militares da reserva (que coisa, hein!) e até prender um deles são exemplos claros desta disposição. No ano passado “a presidento” cortou R$ 5 bilhões no Orçamento Geral da União para as Forças Armadas e é por essas e outras que o índio cocaleiro da Bolívia apoderou-se de nossas refinarias, Fernando Lugo do Paraguai tirou onda com a nossa cara renegociando o acordo de Itaipu, o megalomaníaco e arremedo de ditador Hugo Chávez já declarou que só não invade a Amazônia caso não precise, etc. Em todos estes episódios encontravam-se Lula, O Ignorante Desbocado e Celso Amorim, O Adorno.





Essa gente que está no poder é tão intolerante quanto os generais da ditadura ou mais. Utilizam os mais sórdidos artifícios para satisfazerem seus interesses, normalmente inconfessáveis. Manipulam o Judiciário como bem lhes aprouverem. O Legislativo é um balcão de negócios sujos onde se negocia até a alma deles, parentes e aderentes. O Estado brasileiro é paquidérmico e inútil, mas isso é outra história. Tanta coisa para fazer e “o presidenta” a se preocupar com críticas, intriguinhas, fofoquinhas, picuinhas, etc. Quer ficar bem na foto presidente? Governe, de preferência bem. “O melhor governo é aquele em que há o menor número de homens (e mulheres) inúteis,” Voltaire (1694-1778).




CELSO BOTELHO


01.03.2012







terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A COSA NOSTRA TUPINIQUEIRA



Como nas máfias tradicionais a versão tupiniqueira não poderia deixar de ter os ingredientes básicos que permeiam estas organizações: corrupção, prostituição, extorsão, assassinatos, apropriações, propinas, fraudes, tráfico e o mais que possa trazer ganhos rápidos, fáceis, vultosos e obviamente ilícitos. A “Cosa nostra” tupiniqueira apoderou-se do Estado brasileiro o que lhe facilitou muito as ações (ou má ações) e garantiu-lhes o que há de mais sagrado para os delinquentes: a impunidade. Será que alguém poderia negar isso? Será que alguém está disposto a defender um Executivo, Legislativo e Judiciário apodrecidos? Bem, sempre haverá quem os defenda em troca do vil metal, benesses, parentesco, amizade, cumplicidade, conivência, conveniência, permissividade ou falta de vergonha na cara mesmo. Fico irritado quando me deparo com alguns sabichões usando uma linguagem rebuscada formulando teses, teorias, hipóteses tão imbecis quanto eles visivelmente à serviço da máfia tupiniqueira sobre as causas dos problemas estruturais do Brasil. Tem “intelectual” por ai que atribui a população o gosto, o respeito e a admiração pela pratica da corrupção, fraude, desvio e desperdício de dinheiro público, impunidade, etc. Ora, é como admitirmos que os castigos físicos impingidos aos escravos os deixassem inebriados de prazer e profundamente agradecidos aos seus algozes. A inversão de valores tem suas origens lá no começo de nossa colonização, isso é fato. Mas daí a imputar todas as mazelas brasileiras à população é coisa de intelectual de almanaque. Nas últimas décadas a defesa implícita ou explicita sobre a degradação social, política, econômica, cultural, etc. é sistematicamente estimulada pela elite tupiniqueira como sendo uma ocorrência “natural”. Desejam, pois, a institucionalização de uma Sodoma e Gomorra piorada e têm conseguido realizar este indecente desejo.




O noticiário na grande imprensa dá conta de uma trama que envolve relações íntimas da advogada Christiane Araújo de Oliveira com figuras públicas, espionagem, tráfico de influência e informações, etc. Mas a associação da prostituição com política é histórica. Devemos ter em mente que prostituir-se em política não significa necessariamente a consumação de ato sexual. Porém, em qualquer de suas formas, são inaceitáveis ou métodos válidos para prejudicar adversários, ascender ou manter-se no poder. Pelo contrário, devemos repudiá-la com todo vigor. Tal prática é ilegal, imoral e alimenta a degeneração humana que, diga-se, jamais foi pouca. Em todos os grandes impérios que já existiram há relatos de mulheres espiãs astutas, inteligentes, perspicazes e que dispunham de beleza e a utilizavam para seduzir os homens e obter informações que alteraram decisões e até mesmo o rumo dos acontecimentos. Portanto, não há novidade no fato de também a encontrarmos no Brasil.



ALGUMAS ESPIÃS


Mata Hari, Paris 1906

Brita (Birgitte) Olovsdotter Tott, (? – 1498), Senhora de Hammersta. Em 1442, filha de uma nobre família dinamarquesa, casou-se com um integrante da família real sueca. Dez anos depois, os suecos tiveram um enfrentamento com os dinamarqueses. Durante essa época, Brita converteu-se na espiã perfeita para sua terra natal e transformou-se em cúmplice da conspiração para matar o rei sueco Carlos VIII (1408/9-1470). Quando o rei se deu conta da traição, foi declarada culpada e condenada à fogueira (caso houvesse esta modalidade de execução no Brasil, especialmente para corruptos e corruptores, seria preciso construir centenas de “fogueiródomos”). O castigo foi trocado por outro que consistia em ser enterrada viva em uma parede (neste caso as olarias seriam mais ricas que a Petrobrás), mas finalmente permitiram que vivesse até o final de seus dias em sua terra natal (como Paulo Maluf que é procurado pela Interpol em mais de uma centena de países, exceto no Brasil). Brita foi um dos maiores latifundiários da Escandinávia. Charlotte de Sauve (1551-1617), nobre francesa e amante do rei Henrique de Navarra, 1553-1610, (que mais tarde governou como rei Henrique IV da França). Ela fazia parte de um grupo de belas mulheres espiãs que tinha a função de seduzir os homens importantes da Corte, e assim, extrair informações para passar para a rainha. Charlotte de Sauve foi creditada como fonte das informações que levaram à execução de Marguerite de Valois (1553-1615), Joseph Boniface de La Mole (C.1526-1574) e de Annibal Coconnas (1535-1574) por conspiração em 1574. Charlotte, posteriormente tornou-se amante do duque de Alençon (Hércules Francisco de Valois, 1555-1584), onde se criou uma rixa entre os antigos amigos próximos, como Navarra e Alençon, que se tornaram rivais por Charlotte. De acordo com as memórias de Margarite de Valois: "Charlotte de Sauve tratava ambos de tal maneira que eles se tornaram extremamente ciumentos de um pelo outro, a tal ponto que se esqueceram as suas ambições, seus deveres e seus planos e não pensava em nada mais a não ser correr para os braços desta mulher”. Uma espiã bem conhecida é Margaretha Gertruida Zelle (1876-1917) ou Mata Hari, que significa “olho de cisne” em malaio. Depois de um casamento fracassado foi para Paris onde posava como uma princesa javanesa e se tornou uma dançarina exótica (a ex-deputada Ângela Guadagnin, PT-SP, dançou a “Dança da Pizza” em 2006 no plenário para comemorar a absolvição de deputado João Magno, PT-MG, de corrupção, mesmo tendo confessado o recebimento de R$ 425,95 mil das contas de Marcos Valério, mas não fez o mesmo sucesso que Mata Hari ou a mulher melão, melancia, maçã e outras) transformando-se na cortesã de alguns dos homens mais ricos do governo e do exército. Apesar de haver mantido relações íntimas com diversos oficiais franceses e alemães durante a Primeira Guerra Mundial os historiadores não podem precisar se de fato fora mesmo uma espiã e que missões desempenhou. De qualquer maneira em 1917 foi julgada e condenada acusada de espionagem e agente dupla para a Alemanha e a França.


Anna Chapman


Durante a Segunda Guerra Mundial as espiãs foram extremamente atuantes em ambos os lados. Stephanie Julianna Von Hohenlohe (1891-1972) ou Princesa Stephanie. Foi membro da rica e bem relacionada aristocracia alemã da década de 1930. Mudou-se para Londres, onde rapidamente socializou e seduziu com sua beleza ministros do gabinete e membros da alta realeza. Com o tempo, seu atrativo sexual converteu-se em ouro para a espionagem a favor de Adolf Hitler (1883-1945). Apesar de ser judia, ela tornou-se intimamente familiarizada com os membros da hierarquia nazista, incluindo Hitler, que a chamou de sua "querida princesa". Desenvolveu uma amizade muito estreita com Hermann Göring (1893-1946) e Heinrich Himmler (1900-1945) que chegou a declarar-lhe uma “honorária ariana”. Quando explodiu a Segunda Guerra, seus serviços como espiã para os alemães em Londres terminaram. Segundo um relatório de 1938 da inteligência britânica "Ela é frequentemente convocada pelo Führer que aprecia sua inteligência e bons conselhos. Ela é, talvez, a única mulher que pode exercer qualquer influência sobre ele.” Stephanie decidiu mudar-se para os Estados unidos, com seu amante Fritz Wiedemann (1891-1970). Ali foi contratada pelo governo para criar um perfil psicológico e uma análise de personalidade de seu antigo amigo, Adolfo Hitler, em 1943. Melita Norwood Stedman (1912-2005). Foi uma cidadã britânica de ideais comunistas (tal qual Dilma Rousseff durante a ditadura militar, só que brasileira). Trabalhou em um centro de investigação nuclear secreto para obter acesso a documentos confidenciais. Seus ideais não alarmaram a polícia britânica, mas chamaram a atenção dos soviéticos, que em 1940 a recrutaram como espiã. Durante as quatro décadas seguintes dedicou-se a vazar documentos secretos de Estado a seus assessores soviéticos. A existência de Norwood foi descoberta depois que Vasili Mitrokhin (1922-2004), dissidente da KGB, revelou suas atividades em 1999 quando conseguiu acessar os arquivos dos serviços secretos da Rússia. Devemos mencionar também Elizabeth Bentley Terrill (1908-1963) foi uma das espiãs soviéticas mais bem sucedidas nos Estados Unidos. Vazou informações secretas dos nazistas a seus assessores soviéticos Em 1945 desertou do Partido Comunista e da inteligência soviética e tornou-se um informante para os EUA nomeando mais de 80 americanos que haviam se envolvido em espionagem para os soviéticos e cerca de 150 nomes de espiões soviéticos, incluindo dezenas de empregados do país norte-americano (tal qual Dilma Rousseff que foi presa, deu com a língua nos dentes, teve a pena reduzida e aderiu ao capitalismo, neoliberalismo, oportunismo, etc.). Estas são apenas algumas das inúmeras espiãs e, para encerrar com uma bem recente, esta Anna Chapman(1983-) presa em Nova York juntamente com outras nove pessoas em 27 de junho de 2010 por suspeita de trabalhar para a rede de espionagem agência da Federação Russa de inteligência externa, o SVR (Sluzhba Vneshney Razvedki). Chapman se declarou culpada da acusação de conspiração por atuar como agente de um governo estrangeiro sem notificar os EUA, e foi deportada para a Rússia em 8 de julho de 2010, como parte de uma troca de prisioneiros.



EUA: CIA - AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA





Nos Estados Unidos Edgar Hoover (1895-1972), foi diretor do FBI por quase meio século e, segundo consta, mantinha em seus arquivos todo tipo de registro sobre indiscrições de figuras públicas, mafiosos, comunistas, criminosos notórios, etc. obtidos por meios duvidosos. A CIA (Agência Central de Inteligência) criada em 1947 para coordenar as atividades de espionagem entre os ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos e realizar operações clandestinas e ações paramilitares, exerce influência na política externa através da sua Divisão de Atividades Especiais. A CIA tem um histórico de ilegalidades que vão desde interferência em assuntos policiais internos até tráfico de heroína, ópio, cocaína, assassinatos, torturas, golpe de Estado em outros países até experiências em seres humanos.



URSS: KGB – COMITÊ DE SEGURANÇA DO ESTADO





Na ex-URSS, em 1954, foi criada a KGB (Comitê de Segurança do Estado) que realizava operações secretas internacionais e dentro do território soviético exercia o papel de polícia federal e polícia política. A KGB não possuía similar em todo o mundo. Era uma força armada independente. Entre as atribuições deste organismo estava a de se opor à influência dos Estados Unidos no Ocidente durante Guerra Fria e manter a estabilidade política interna com uma seção só para a vigilância e repressão, nem é preciso detalhar os métodos utilizados contra os dissidentes. A organização contava também com uma “seção de serviços sujos”, isto é, que promovia assassinatos, atentados, sequestros, bombas, etc. Outra para os “ilegais”, agentes que viviam em outros países sob uma falsa identidade. Alguns grupos que atuavam junto com a KGB permanecem em atividade ainda hoje cuja “especialidades” são sabotagem, infiltração e, por incrível que vos possa parecer, antiterrorismo.



BRASIL: DO DOP - (DEPARTAMENTO OFICIAL DE PROPAGNADA À ABIN - (AGÊNCIA BRASILEIRA DE INFORMAÇÕES)





No Brasil, logo após ter tomado o poder em 1930 Getúlio Vargas criou o DOP (Departamento Oficial de Propaganda) que utilizava métodos de difusão da propaganda importados da Alemanha nazista aplicados de maneira sistemática e por saturação da população. Em 1934 o substituiu o DPDC (Departamento de Propaganda e Difusão Cultural) tanto um quanto o outro tinham grandes limitações, eram antiquados e lentos. Em 1939 Vargas criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). A abrangência do DIP era infinitamente maior do que a do DOP e o DPDC. Seu poder de penetração na sociedade também. A mudança de nome e funções, com a centralização da informação, o controle e a função de censor de todas as manifestações culturais do Brasil, davam-lhe superpoderes. Em 1945 foi extinto e substituído pelo DNI (Departamento Nacional de Informações). Em 1964 foi criado o SNI (Serviço Nacional de Informações) idealizado pelo general Golbery do Couto e Silva (1911-1987), O Bruxo, que trouxe do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) para o “monstro” (segundo sua própria definição) aproximadamente 3.000 dossiês com as informações das principais lideranças políticas, sindicais e empresariais do país. Finalmente em 1999 o então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) criou a ABIN (Agência Brasileira de Informações) cuja função principal é investigar ameaças reais e potenciais, bem como identificar oportunidades de interesse da sociedade e do Estado brasileiro, e defender o estado democrático de direito e a soberania nacional. Bem se vê que de maneira mais sútil é a mesma porcaria de seus antecessores com grampos telefônicos ilegais, arapongas e tudo o mais. Na historiografia brasileira existem poucos dados sobre espiões e espiãs, mas isso não quer dizer que não existiram. Desnecessário lembrar que espionar é uma atividade corriqueira entre os seres humanos desde o seu surgimento. E, afinal, onde há o exercício de atividade política, econômica, social, cultural, religiosa, etc. (e em todo lugar há) a espionagem é elemento imprescindível para a sobrevivência daqueles que estão no poder, desejam mantê-lo e até ele chegar. De mais a mais criar e manter estruturas de informações sem espiões seria como fabricar um automóvel sem rodas ou motor.





Estes três exemplos (existem muito mais) reforçam inexoravelmente uma realidade: O Estado, valendo-se do seu poder coercitivo legal, mantém estruturas que não ficam devendo absolutamente nada as organizações mafiosas espalhadas pelo mundo onde a máxima de Nicolau Maquiavel (1469-1527) é utilizada de forma errada “os fins justificam os meios”. O renascentista não quis dizer que qualquer atitude seria justificada dependendo do objetivo, apenas que os fins determinam os meios e que, de acordo com os seus objetivos, poderão ser traçados os planos de como atingí-los. Os oligopólios; os cartéis; as bancadas no poder Legislativo deste ou daquele segmento da sociedade; um judiciário permeado de ganhos indevidos, venda de sentenças favoráveis a quem possa pagar, parcial, complacente, omisso, permissivo; um Executivo refém de interesses inconfessáveis; empresários e banqueiros inescrupulosos, ganâncios e safados; os meios de comunicação subservientes, coniventes e remunerados pela corrupção constituem as diversas máfias de nosso país. A “Cosa nostra” tupiniqueira. Dito isto não é surpresa alguma tomar conhecimento da existência de espiãs (e espiões) em seus seio.



CORRUPSEX EM BRASÍLIA





Segundo a revista Veja (11.02.2012) a advogada Christiane Araújo de Oliveira confessou que mantinha relações intímas com políticos e figuraças desta maltrapilha República participando de “festinhas” de embalo (o termo está um tanto caduco para o que significa isto atualmente, isto é, orgia, bacanal, swing, etc.). Declarou também ter sido transportada em aviões “chapa-branca” e, de acordo com a revista, aproveitava-se dos amigos e amantes influentes para obter favores em benefício da quadrilha chefiada por Durval Barbosa que tornou pública as imagens do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda recebendo propina que o levou para a cadeia e, na sequência, a perda do mandato. Esta quadrilha desviou mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos. Na reportagem Christiane asseverou que manteve um relacionamento com José Antonio Dias Toffoli quando ocupava o cargo de Advogado-Geral da União na administração (sic) Lula, atualmente é ministro do STF, O Laxante (Tá preso? O STF solta). A doutora afirma que os encontros aconteciam num ninho, digo, apartamento onde Durval estocava caixas de dinheiro utilizados para comprar políticos (segundo o caseiro Francenildo com Palocci & Quadrilheiros Associados a coisa tinha lugar numa mansão, “A República de Ribeirão Preto”, mas o orgia era a mesma com sexo e dinheiro público). Toffoli, entretanto, nega tudo e mais alguma coisa que possa surgir. Mas negar é até bíblico. Pedro negou Cristo por três vezes para salvar a própria pele. Christiane relatou ainda que tem uma amizade íntima com Gilberto Carvalho, atual secretário-geral da Presidência da República e extra-oficialmente espião de Lula no Palácio do Planalto e ex-chefe de gabinete do “ex-presidente-manda-de-verdade” Lula. Ela pediu a interferência de tão “encantador” ministro para nomear o procurador Leonardo Bandarra como chefe do Ministério Público do Distrito Federal (sua missão neste posto era proteger a quadrilha). O pedido foi atendido. Bandarra, descobriu-se depois, era também um ativo membro da máfia brasiliense e hoje responde a cinco ações na Justiça, depois de ter sido exonerado. Mas, reflitamos, amizade íntima com Gilberto Carvalho é prova inconteste que os mafiosos (as) estão dispostos aos maiores sacrifícios para atingirem seus objetivos ilegais e imorais. Da mesma maneira que Toffoli, o apóstolo Pedro e as centenas de milhares de detentos espalhados pelo mundo Gilberto Carvalho também nega tudo. Mas as aventuras desta jovem causídica não termina ai. Também trabalhou no Comitê Central da Campanha de Dilma Rousseff, “o presidenta-faz-de-conta”, sendo sua função relacionar-se com as igrejas evangélicas (ora vejam!) por que, afinal, é filha do notável Elói Freire de Oliveira fundador da Igreja Tabernáculo do Deus Vivo, mais popular na Ilha da Fantasia, digo, Brasília, como “profeta”. Este cidadão para levar a Palavra de Deus a outras igrejas chegava a cobrar R$ 2.000,00 de cachê, mas atualmente não tem pregado porque, segundo consta, está com o fígado dodói e por, supostamente, haver “pulado a cerca”, isto é, fornicado fora de casa. O Tabernáculo anda às moscas e a arrecadação diminuiu sensívelmente. Christiane chegou a ser convidada para integrar a equipe de transição (de que para que?) de Dilma Roussef, mas foi demitida assim que seu envolvimento com a Máfia dos Sanguessugas. Segundo o procurador que tomou um dos depoimentos de Christiane, o material que ele coletou foi enviado à Polícia Federal para ser anexado aos autos da Operação Caixa de Pandora (ainda quero saber quem é o imbecil que arranja estes nomes). Um segundo depoimento foi tomado pela própria PF. Mas nenhuma das revelações da advogada faz parte oficial dos autos da investigação. Milagre? Impossível. Arranjo? Com certeza.



CELSO BOTELHO

15.01.2012