quinta-feira, 26 de maio de 2011

A VOLTA DAQUELE QUE NÃO FOI...EMBORA




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A transmissão do cargo de presidente da República ocorrida em primeiro de janeiro deste ano (cerimônia que custou ao contribuinte cerca de R$ 2 milhões) não passou de simples pantomima, posto que o presidente que saia inventou, elegeu e pôs cabresto na presidenta que supostamente entrava. O golpe do terceiro mandato não vingou, como sonhava o ex-pseudo-metalúrgico/sindicalista. Todos sabiam disso ou, pelo menos, a maioria. Dilma DuCheff, com apenas cinco meses de empossada, assiste o ex-presidente Lula, O Ignorante Desbocado, se abalar de São Bernardo para Brasília onde, escancaradamente, assume o governo de fato, posto que de direito pertence a Dilma que, por sinal, não significa nada, vezes nada e nada ao quadrado. O sapo barbudo (royalties para Leonel Brizola, 1922-2004) reuniu-se na residência do ministro das Comunicações (sic) Paulo Bernardo onde houve um rega-bofe com mais de três horas de duração (e olha que não estavam comendo peixe!) com a finalidade de desencadear uma campanha pró-Palocci, isso significa que a articulação política do governo está sob seu comando.

Consta que o ex-presidente exibindo sua primorosa sapiência sentenciou: “estão testando o governo da Dilma. Quiseram me intrigar com ela e não conseguiram. Agora, se o governo entregar a cabeça do Palocci, vai cometer um grande erro. Não dá para pôr o Pelé no banco", pelo menos poderia fazer referência a um jogador de futebol mais moço, posto que o Pelé já conte com setenta anos e nem para o banco seria convocado. Não me parece que o fato do ministro da Casa Civil aumentar seu patrimônio em vinte vezes nos últimos quatro anos seja um teste e quanto a tentarem intrigá-lo com a criatura não seria possível, posto que ela não suportaria as conseqüências de um arroubo de independência e, mesmo que quisesse, seria impraticável ou suicídio político. Lula escutou as queixas pela demora para o preenchimento das vagas no segundo escalão e prometeu resolver. Também informou que iria agilizar a reforma política que, diga-se a bem da verdade, não vai reformar coisa alguma. O ex-presidente também aconselhará a sua invenção, pupila e marionete a deixar o gabinete e se expor mais, pois, segundo ele - ainda Ignorante e Desbocado - e atual palestrador ou falastrão (palestrante é outro nível), “o papel de um presidente é dialogar, animar e induzir a sociedade”. E ele fez isso a vida toda. Quando sindicalista dialogou com os empresários como todo pelego que se preza. Na presidência transformou o país num imenso auditório animando-o com suas fantasias, metáforas futebolísticas, alucinações psicodélicas (este termo veio do fundo do baú, não o do Silvio Santos) que induzia a grande massa a enxergá-lo como a oitava maravilha do planeta, do Sistema Solar e quiçá do Universo. Deve ter prometido aos correligionários, cúmplices, capangas, puxa-sacos e outras tralhas que iria permitir que o sol brilhasse, que o céu permanecesse azul e que a água dos oceanos seja sempre salgada. A dimensão dos malefícios provocados pelo governo petista é colossal, sem que isso venha a minimizar os estragos das administrações anteriores. Os mandos e desmandos são uma constante. Lula fez a proeza de, sem violência (pelo menos física) e sem implantar uma ditadura (pelo menos aquela repressora como a de 1964 ou semelhante a do Hugo Chávez, o arremedo de ditador, megalomaníaco e bobalhão empedernido), destruir toda e qualquer oposição ao seu governo e ao de Dilma que, devido à limitação constitucional para impedi-lo, é seu também. Todos foram aliciados, cooptados, apadrinhados e beneficiados como, aliás, é da natureza destes politiqueiros que andam por ai há décadas. Será que preciso rememorar toda a roubalheira, impunidade, casuísmo, escândalos, patifarias, safadezas, etc. dos últimos oito, dezesseis, vinte, trinta ou quinhentos anos? Certamente preencheriam páginas e mais páginas.

Lula assumiu o governo sem qualquer constrangimento. Isso não é nenhuma surpresa. Como não será surpresa nenhuma o ricaço do Palocci permanecer no cargo ou dele ser afastado sem responder por coisa alguma. Para comprovar o que digo basta constatar que os quarenta acusados no escândalo do Mensalão ainda não foram julgados pelo misericordioso STF e alguns crimes já estão prescrevendo, enquanto isso o José Dirceu anda por ai saltitante e conspirando (apontado como o chefe da quadrilha pelo procurador-geral da República). Há muito tempo que em nosso país se elege verdadeiras quadrilhas de bandidos para o Executivo e o Legislativo que indicam e aprovam outros questionáveis cidadãos para o Judiciário. Interessante foi o senador Paulo Paim (PT-RS) evocar o principio de que cabe ao acusador o ônus da prova. Sim, é verdade. Porém, o Palocci não é marinheiro de primeira viagem. Atracou no governo Lula como ministro da Fazenda acusadissimo de irregularidades em Ribeirão Preto quando prefeito. Durante sua estada no ministério violou o sigilo bancário do caseiro Francenildo (A Caixa Econômica Federal está reconhecendo que a ordem partiu do gabinete do ministro), podemos concluir que tal sujeito nem deveria ser cogitado para o mais humilde cargo público quanto mais ministro da Casa Civil. O líder do PT no Senado Federal Humberto Costa (PT-PE) acha desnecessária a convocação do ministro para esclarecimentos em público porque não há nada para questionar quanto a lisura do dito cujo, não estaria tão convicto disso. Se for assim que venha o “ilibado” ministro esclarecer tudo, pois, a omissão é confissão de culpa. Só para refrigerar a memória este senador foi acusado de participar do escândalo envolvendo a contratação de hemoderivados pelo ministério da Saúde entre 1990 e 2004 por três das onze pessoas nomeadas em sua gestão (Operação Vampiro). As fraudes nas licitações resultaram num rombo de R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos. O processo foi encerrado apenas em março de 2010 quando o Tribunal Regional Federal da 5ª Região inocentou Humberto Costa. Segundo foi amplamente noticiado na época o homem de confiança do ministro Humberto Costa tinha em seu apartamento um singelo e inofensivo saco cheio de dinheiro. Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e do Mensalão, estava acusado neste processo de ter comandado um esquema que desviou cerca de R$ 15 milhões do ministério da Saúde através de licitações fraudulentas. Quantos punidos? É, senador, diz-me com quem andas... O ministro da Ciência e Tecnologia, o ex-senador e baba-ovo desprezado, Aluizio Mercadante, diz que a intervenção do ex-presidente não é sinal de fraqueza de Dilma. Não. Não é. Fraqueza é uma coisa e subserviência outra.

Antonio Palocci bate o pé, faz beicinho e outras malcriações, mas não revela a quem prestou consultoria alegando cláusula de confidencialidade, mas admite ter sido muito bem pago e não ter nenhum problema ético ou moral. Ora, e quando é que teve? O ”doutor” deve ser um gênio em consultoria: faturou R$ 20 milhões em ano eleitoral, R$ 10 milhões quando era coordenador operacional e financeiro da candidata Dilma e outros R$ 10 milhões quando a candidata foi eleita e sua indicação para o cargo era fato consumado. Pergunta tola: onde o expert em consultoria arranjou tempo para ganhar tanto dinheiro? Dilma o mantém; Lula & Corriola o apóia; a pseudo oposição late, mas não morde e a sociedade assiste passivamente protegerem o suspeitíssimo Palocci.

CELSO BOTELHO

26.05.2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

PALOCCI E O MILAGRE DAS MULTIPLICAÇÕES

Não se constitui em novidade alguma que os homens públicos brasileiros não primam pela honestidade, probidade e lisura no trato da coisa pública, salvo raríssimas exceções. A evolução patrimonial do ministro Palocci em tempo recorde (em quatro anos cresceu 20 vezes) não é um caso único e a proteção que recebe do Palácio do Planalto também não. Acobertar atos ilícitos parece ser uma de suas funções, pois, não fosse assim, o “distinto” ministro já teria sido afastado de suas funções para responder as acusações. Lembramos aqui o escândalo que ficou conhecido como “Os Anões do Orçamento” (1993), esquema que envolvia governadores, ministros e parlamentares. Eles recebiam comissões gordas para favorecer empreiteiras e desviavam recursos para entidades de assistência social fantasmas. O ministro da Casa Civil Henrique Heargreaves foi citado como integrante do esquema e o presidente Itamar Franco (1992-1994) imediatamente o afastou do cargo. Terminado os trabalhos da CPI o ministro foi inocentado e reconduzido ao cargo onde permaneceu até o fim do governo. Esta seria a atitude correta de qualquer presidente da República e não declarar a imprensa que a “saúde” do ministro está bem como o fez “o presidenta” Dilma DuCheff . Caso possa provar a origem de seu enriquecimento porque optou pelo silencio? Mostre os contratos de consultoria prestados, abra a contabilidade de sua empresa Projeto Consultoria Financeira Ltda. rebatizada de Projeto Administração Imobiliária. O Palácio do Planalto blindou o ministro ricaço com uma manobra para impedir sua convocação na Câmara dos Deputados, o procurador-geral da República Roberto Gurgel que, por sinal, tenho em boa conta, disse que prestar consultoria não é ilícito, porém, podem ocorrer problemas éticos e que a evolução patrimonial do ministro merece “uma olhar mais cuidadoso”. Mas ética é, em se tratando de política, luxo que estes politiqueiros não podem ter. Negar-se a revelar quem são os seus clientes somente reforça nossa crença de que há dolo. A exigência de provas é requisito para condenação e não para mero indiciamento, notadamente se tratando de uma pessoa pública que ostenta uma folha corrida nada invejável. Vejamos.

Quando prefeito de Ribeirão Preto (SP) Palocci foi acusado de fraudar licitação para a compra de cestas básicas, que deveria incluir a compra de uma lata de molho de tomate peneirado com ervilha - especificidade que gerou suspeita de fraude e favorecimento. O caso foi posteriormente arquivado pelo sempre amigo STF.

Em 2005, o ministro da Fazenda Antonio Palocci se viu envolvido no escândalo do Mensalão, após ser acusado por Rogério Buratti, seu ex-secretário na primeira gestão como prefeito em Ribeirão Preto, de receber entre 2001 e 2004 R$ 50 mil mensais de propina da empresa Leão & Leão, que seria favorecida em licitações da prefeitura. O dinheiro seria usado para abastecer um caixa dois de candidatos do PT. Palocci negou ter recebido dinheiro de empreiteiras e criticou a divulgação das informações pelo Ministério Público. Em junho de 2007, Buratti retirou as acusações contra Palocci. Voltaram às boas. Que coisa, heim!

Francenildo Santos Costa, caseiro, afirmou à imprensa e à CPI dos Bingos que tinha visto Palocci frequentando a mansão em Brasília (chamada República de Ribeirão Preto) para reuniões de lobistas acusados de interferir em negócios de seu interesse no governo Lula, para partilhar dinheiro além de abrigar festas animadas por garotas de programa. O ministro da Fazenda no governo Lula Antonio Palocci foi acusado de ter solicitado a quebra de sigilo bancário de Francenildo Santos Costa em 2006 ao então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, que teria atendido ao pedido do ministro e verificou-se alguns depósitos em dinheiro acima da normalidade na conta do caseiro, o ex-assessor de imprensa do Ministério da Fazenda Marcelo Netto teria então vazado as informações à imprensa, segundo relatório da Polícia Federal enviado ao Ministério Público Federal, na tentativa de desmoralizá-lo. Sem pestanejar o COAF abriu um processo contra Francenildo por lavagem de dinheiro, mesmo sem descobrir se os depósitos eram legais ou não. Seu depoimento na CPI foi cancelado por uma liminar expedida pelo STF, a pedido do senador Tião Viana (PT/AC). O Estado não poderia ter agido desta forma, é crime. O processo foi para o STF que decidiu arquivá-lo por cinco votos a quatro, numa plena demonstração de subserviência ao presidente da República Lula, O Ignorante Desbocado.

Em maio de 2010, Palocci sofreu seis ações populares que atestam propaganda irregular em 2001 em sua segunda gestão na cidade de Ribeirão Preto. Após duas ações movidas pelo deputado federal Fernando Chiarelli, o juiz André Carlos de Oliveira, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto, julgou o caso, que reuniu todas as sentenças, e condenou Palocci a devolver R$ 413,2 mil aos cofres públicos, além de outros R$ 500 mil de suplementação de verba gastos com empreiteiras.

Em 2006 o endinheirado ministro declarou a Justiça eleitoral que possuía uma casa no valor de R$ 56.000,00 em Ribeirão Preto, um terreno e três carros no valor de R$ 375 mil. Em 2010 adquiri um imóvel no valor de R$ 6,6 milhões e um escritório, salas ou coisa que o valha por R$ 882 mil. Em cinco anos foi, deveras, um grande passo que o “doutor” Palocci deu.

O sujeito que possui um histórico desse não poderia sequer pensar em se candidatar a vereador no mais longínquo município brasileiro, porém, o que mais se vê na vida pública em nosso país são bandidos, calhordas, salafrários, patifes e velhacos de todos os matizes. No Partido dos Trabalhadores, por exemplo, mesmo fazendo um levantamento superficial, verificaremos uma quantidade respeitável de figuras que enriqueceram à velocidade da luz. São vários “cumpanheiros” que “enricaram” do dia para a noite (Lulinha, Delúbio Soares e outros trastes). Mas isso não quer dizer que não existam em outras agremiações, o fenômeno atinge todas elas. O preceito constitucional é de que todos são inocentes até que se prove o contrário, mas se o acusado silencia, omite ou impede o acesso às informações que, segundo ele, o inocenta então podemos tomá-lo como suspeito e provavelmente como culpado, porque quem não deve não se esconde atrás de contratos confidenciais e outras artimanhas. Porque o Palácio do Planalto está blindando o ministro? Será que “a presidento” Dilma DuCheff herdou, além da presidência, as duas palavras mágicas do Chefe quando a coisa apertava: “eu não sabia”? Caso este caso não seja apurado, e creio que não será ou que apurado não punirá ninguém (exceto os peixes pequenos), meu desprezo e asco por essa gente ficará mais visceral.

CELSO BOTELHO

20.05.2011



sábado, 30 de abril de 2011

O SÓCIO DA BODEGA DO LULA


E por falar em Dilma “o presidenta” Rousseff o ex-presidente Lula, O Ignorante Desbocado, encontrou uma atividade (e olha que nunca foi afeito ao trabalho), além de eminência parda no atual governo, porque quem disser que ele não está envolvido com a administração Rousseff é muito ingênuo ou um perfeito idiota. Abriu uma bodega, tal qual seu rebento com a suspeitíssima Gamecorp, que leva a pomposa razão social LILS Palestras, Eventos e Publicações Ltda. com um capital de R$ 100 mil (é ou não é uma bodega?) e tendo como sócio o ex-presidente do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) Paulo Tarcísio Okamoto, um “amigão do peito” (e do bolso) do ex-presidente (são tão íntimos que o ex-presidente ainda o chama de “japonês”, mas não estou certo se Okamoto ainda o trate por “baiano”), ex-tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, ex-presidente do PT paulista e ex-tesoureiro da campanha de Lula (Hummm... cuidado Oka, lembrai-vos de PC Farias) O SEBRAE representa mais de 15 milhões de microempresários, emprega cerca de 5.000 funcionários e tem um orçamento anual de R$ 1 bilhão.

Este “amigão do peito” (e dos conchavos) pagou uma divida do ex-presidente de R$ 29.436,26 (cobrada desde 2002) contraída junto ao PT onde, por acaso, era o presidente de honra e de fato (situação que jamais foi alterada). Tal dívida não está explicada até os dias de hoje. Na declaração à Justiça em 2004 o PT informou que concedera empréstimo neste valor para Lula antes de assumir a presidência da República, porém negou que fosse para pagar dívidas pessoais do ex-presidente dando três origens diferentes para a dívida: gastos com viagens, pagamento de passagens aéreas para a esposa de Lula e adiantamentos, no entanto o partido da “ética”, “bons costumes” e outras “virtudes” nunca informou as datas das viagens e muito menos os valores. Em depoimento na CPI dos Bingos Paulo Okamoto disse que pagou em dinheiro na tesouraria do PT os tais R$ 29.436,26 (quase trinta dinheiros, importância que supostamente Judas teria recebido para trair Jesus) para cobrir despesas de viagens e diárias no exterior realizadas por Lula em 2001 quando candidato. Dívida que Lula não admitia. A CPI que investigava o Mensalão descobriu que fora saldada em 2003 pelo “amigão do peito” (e cúmplice) Okamoto que, em depoimento, admitiu tê-la paga do próprio bolso, porém não exibiu nenhum comprovante e até se esquecera o local do pagamento. Mais tarde a memória voltou e declarou que o acerto fora feito numa agência do Banco do Brasil em Brasília. A CPI, em 2005, através de extratos e documentos, apurou que o dinheiro foi remetido a uma conta do PT no ABC paulista por alguém chamado Luiz Inácio Lula da Silva em 2003. Okamotto não conseguiu decifrar o enigma. Tampouco soube explicar por que os R$ 29.436,26 não apareceram na sua declaração de renda nem na do ex-presidente. Mas o depoente em questão, durante a tal CPI, não soube explicar porque o dinheiro foi pago com a utilização da carteira de identidade do presidente. Perguntado, ainda na CPI, se sua indicação para a presidência do SEBRAE deu-se por influência do amigo presidente afirmou categoricamente e sem qualquer constrangimento que sim. Como Lula controlava tudo, inclusive o STF, cujo presidente na época era nada mais nada menos que o ministro da Defesa Nelson Jobim (que, diga-se, entende tanto de Forças Armadas quanto eu de física nuclear, aramaico ou grego, ou seja, rigorosamente nada) concedeu uma liminar que impedia a quebra do sigilo fiscal, telefônico e bancário de Paulo Okamoto, não vou discutir os aspectos jurídicos da decisão, entretanto, só o fato deste cidadão admitir que pagara o diabo da dívida é razão de sobra para quebrar até a sua cara quanto mais seu sigilo. Durante a CPI dos Correios e dos Bingos técnicos identificaram, através da quebra de sigilo telefônico de acusados do escândalo do Mensalão, como ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o publicitário Duda Mendonça e o ex-ministro todo-poderoso José Dirceu, 161 chamadas entre eles e o presidente do SEBRAE Paulo Okamoto, o “amigão do peito” (e agora oficialmente e único sócio) do ex-presidente.

Em 2002, Okamoto acudiu Lurian Cordeiro Lula da Silva (filha de quem?), com R$ 26.000,00 (a dívida chegou a R$ 34.750,00) paga em duas parcelas, porque estava sendo assediada pelo proprietário do imóvel (Rua Jurubatuba, 1025), em São Bernardo que, dois anos antes, servira de sede para a campanha malograda (obteve 1.564 votos não sendo eleita, menos mal) da candidata a vereadora em São Bernardo do Campo em 1996 para efetuar o pagamento. Fixando residência em Florianópolis a “menina” recebia proteção da presidência da República ocupada, por coincidência, por seu pai. O Portal da Transparência mantido pela CGU (Controladoria Geral da União) desavisadamente publicou em 2008 gastos com o cartão corporativo de João Roberto Fernandes Júnior, segurança pessoal de Lurian, cedido pela Secretaria de Administração do Planalto. Na época o ministro Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), declarou que as despesas do funcionário são de natureza sigilosa e não deveriam ter sido publicadas, deve ser mais uma conta de “Despesas Secretas”. Em nove meses foram gastos R$ 55.000,00 em lojas de autopeças (Philippi Automóveis e Autopeças Badu), materiais de construção e de ferragens (Milium e Ferromil, somente nesta última foram gastos num único dia R$ 2.300,00, 22.08.2007), supermercados (A Angeloni), livraria e papelaria (A Exata), combustível e em uma casa de venda de munição (Sports Men Ltda.). Esta cidadã foi agraciada também com passaporte diplomático irregularmente. O decreto 5978/2006, que regulamenta a concessão, prevê o passaporte vermelho a presidentes, vices, ministros de Estado, parlamentares, chefes de missões diplomáticas, funcionários da carreira diplomática, ministros dos tribunais superiores, procurador-geral da República, subprocuradores-gerais, ex-presidentes e seus dependentes (filhos até 21 anos e até 24, no caso de estudantes ou deficientes físicos). Os familiares de Lula não poderiam receber os passaportes porque tinham mais de 24 anos na data da concessão. Para finalizar em 2009 Lurian licenciou-se do PT para assumir a secretaria de Desenvolvimento Social de São José, município vizinho à Florianópolis e sua primeira promessa foi de instituir o Cartão Cidadão em substituição as cestas básicas distribuídas pela prefeitura, versão do famigerado Bolsa-Família (ou Vagabundagem, dá no mesmo). Bem, filha de peixe...

Em 2003, cinco meses após a posse do presidente Lula Okamoto entrou com o pedido de anistia a título de indenização (segundo a Agência Brasil o governo Lula pagou R$ 2,6 bilhões em pensões e indenizações a anistiados políticos, fonte: SIAFI – Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal). Mas, fazendo cá minhas contas, em 1964 Okamoto tinha oito anos de idade e, segundo me lembro, os torturadores do regime militar (1964-1985) não estavam à caça de crianças subversivas. Okamoto também foi investigado após a denúncia do ex-secretário de Fazenda de São José dos Campos Paulo de Tarso Venceslau durante a administração da petista Angela Guadagnin. Segundo o ex-secretário Okamoto arrecadava recursos de caixa dois de empresas que mantinham contrato com prefeituras petistas, mas caixa dois - segundo o ex-presidente Lula - todo mundo faz.

Segundo Okamoto o Instituto Lula que, segundo consta, divulgará projetos de combate à pobreza na América do Sul e na África, ora vejam! Ir tão longe para combater o que temos de sobra por aqui e, afinal, este camarada – o Lula – esteve com a caneta na mão durante oito anos, então, com todo respeito, vai lamber sabão. Segundo o “amigão do peito” (e de estripulias) deverá sair do papel em, aproximadamente, 60 dias e terá as características de uma ONG, isto é, sem dinheiro público, coisa, aliás, que permanecerá só no papel, mesmo porque qualquer imbecil sabe que ONG no Brasil só funciona com dinheiro público. E por falar em instituto o ex-presidente Lula começou a “trabalhar” (contra quem?) no seu escritório no Instituto da Cidadania no mês passado que, aliás, nunca serviu para coisa alguma que prestasse. O fato é que a empresa coreana LG pagou R$ 200 mil por uma palestra do ex-presidente e achou que foi muito barato depois que constatou que, em 40 minutos, todos os funcionários da empresa presentes aprenderam o ofício de animador de palanque.

Isso é a prova cabal de que a República brasileira incorporou publicamente o seu estilo, ou seja, uma grande ação entre amigos para dilapidar o Erário sem o menor pudor. O contrato que instituiu, formalizou, operacionalizou e mantém o Estado brasileiro precisa e deve ser revisto, repensado e reformulado porque, de outra maneira, volto a dizer, sua ruína será apocalíptica, uma vez que suas instituições encontram-se em acelerado processo de putrefação. Lula e Okamoto continuaram a fazer na vida privada nada de diferente do que fizeram na pública: fraudar, traficar influência, ludibriar, enriquecer, etc.


CELSO BOTELHO

30.04.2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

DILMA MÃOS DE TESOURA... CEGA


Que o Orçamento Geral da União é uma peça de ficção todos sabem, tanto aqueles que o confeccionam como aqueles que o emendam e aprovam não esquecendo daqueles que nele estejam contemplados. Tudo é um faz-de-conta muito do safado. Todos o que já foram elaborados têm por hábito destinarem vultosos recursos para as mais diversas finalidades, coisa que pode impressionar os mais incautos ou tolos, posto que seja autorizativo (dá-se autorização para o poder Executivo realizar os gastos, mas não o obriga) e não impositivo (o poder Executivo é obrigado a liberar as verbas votadas pelo poder Legislativo), isto é, uma previsão dos limites de gastos que pode ser contingenciada, sofrer cortes ou ser executada discricionariamente a programação orçamentária o que, aliás, sempre acontece. “O presidenta” Dilma alardeou para os quatro ventos o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2011 que monta R$ 2,073 trilhões. A relatora do Orçamento foi a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) após a expulsão do corruptissimo senador Gim Argello (PTB-DF) que responde inquérito no STF por apropriação indébita, peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Manteve a senadora o salário-mínimo em R$ 540,00 (há uma reserva no Orçamento de R$ 6 bilhões que o governo pode usar como quiser, inclusive para dar mais dignidade a milhões de brasileiros aposentados e pensionistas) e aportou R$ R$ 1 bilhão no Bolsa-Família (a vagabundagem custará este ano aos contribuintes mais de R$ 14 bilhões) e a Educação sofreu um corte no mesmo valor ou será que foi uma “transferência” de verba? No relatório final apresentou um corte de R$ 3 bilhões só que não contou a ninguém onde o fez. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento ou Corrupção, tanto faz) e o Fundo Partidário além de permanecerem intocáveis ainda vão abocanhar uma fatia maior do bolo. A meta será, segundo o governo: “cortar gastos para fazer o mais com menos”. Isto é hilário porque sabidamente o governo não consegue sequer fazer o menos com o mais, e ponha mais nisso. Há muito mais barbaridades nesta peça ficcional.


Mas voltemos ao propalado corte de R$ 50 bilhões. “A presidento” Dilma cria agora duas secretarias com status de ministério. A Secretaria de Aviação Civil a fim de transferir a administração dos aeroportos para a iniciativa privada (eis ai o real motivo) quando existe a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) que não presta para nada, a não ser empregar dúzias de parasitas e a Infraero que supostamente administra os principais aeroportos do país. E a Secretaria das Pequenas e Médias Empresas para incentivar as pequenas produções locais coisa que, aliás, o BNDES já faz desde 2003. E se encontra no formo a criação da Secretaria de Irrigação para cuidar especialmente da Região Nordeste recuperando áreas já irrigadas e ampliando outros perímetros. Ora, já existe há mais de um século, o DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca) é só equipá-lo e fazê-lo funcionar. Juntem-se a isso trinta e sete ministérios que nem mesmo seus titulares sabem para que servem. O general-presidente Ernesto Geisel (1907-1996) inventou 20 ministros e foi um escândalo nacional. O ex-presidente Lula, O Ignorante Desbocado, faltou pouco para completar a história de Ali Babá e Dona Dilma está se esforçando para isto aconteça.


A contradição não para ai. Dona Dilma no mês passado conseguiu que o Senado Federal aprovasse que contraia um empréstimo de até R$ 333 milhões (cerca de US$ 200 milhões) junto ao BIRD (Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento) para o projeto de consolidação do Bolsa-Família. Desse montante pelo menos R$ 308 milhões serão “transferidos” para as famílias participantes do bolsa-político-eleitoreira cujo aumento médio foi de 19,4%. Bela economia. Os contribuintes serão chamados para arcarem com o pagamento do empréstimo. As despesas de custeio com o Estado brasileiro são imensas e produzem ineficiência devido a incompetência secular do gestor público que prima pelo atendimento aos seus interesses pessoais ou corporativos. São estruturas gigantescas burocratizadas ao extremo para privilegiar correligionários, adeptos, cúmplices, simpatizantes e outras tralhas. Trinta e sete ministérios não mais atendem a necessidade de aquinhoar a base de sustentação como aconteceu no governo passado, portanto só depende da presidenta enxugar a Esplanada dos Ministérios e todo aparelho administrativo do Estado. O ex-presidente Collor de Melo reduziu o número de ministérios para doze, porém arrisco dizer que tal número ainda pode ser menor caso elabore-se um organograma inteligente.


Vejamos como se processa o “corte” dilmista. Para o tal do trem-bala ligando o Rio de Janeiro à São Paulo espera-se um aporte de R$ 20 bilhões do BNDES, O Bondoso, e a criação de mais uma estatal a ETAV (Empresa de Transportes de Alta Velocidade) e o valor estimado para a obra é de R$ 33 bilhões. Isso é economia? O Glorioso Exército Brasileiro efetivou a compra de 20 rádios sem licitação somente para atender as necessidades de segurança do Sr. Barak Obama e no Orçamento foi garfado em R$ 1,2 bilhões para a “readequadação e reaparelhamento”, aliás, o corte para as Forças Armadas ficaram próximos aos R$ 5 bilhões, somente a Aeronáutica teve um orçamento menor do que o do ano passado em quase R$ 500 milhões. As festas de posse da presidenta custaram para nós, indefesos contribuintes, a bagatela de R$ 1,8 milhões. O gabinete de Segurança Institucional da Presidência da Republica reservou no orçamento R$ 1,6 mil para a compra de 144 bolsas. Nosso país tem a terceira maior população carcerária do mundo (EUA e China encontram-se à frente) com quase 500 mil detentos. No cadastro da Previdência Social estão 29 mil famílias que são beneficiadas com o auxilio-reclusão e somente este ano o governo federal desembolsou R$ 53,7 milhões com mesura e, permanecendo o ritmo, até dezembro o desembolso alcançará quase R$ 300 milhões. Porque não se dá emprego para os membros aptos para trabalhar da família destes reclusos? Os gastos não previstos com a realização da Copa do Mundo de 2014 já chegam a R$ 73 milhões e tendem a crescer alucinadamente para a alegria dos políticos, banqueiros, empreiteiros e outros malfeitores. Para o PAC a presidenta manteve seis obras denunciadas pelo TCU por constatar indícios de irregularidades graves, a atitude de Dona Dilma pode ser legal, porém não é moral. Somente no ano passado o governo pagou em aluguéis em todo o país mais de R$ 756 milhões. E tem muito mais. É desta forma que se deseja fazer economia? Ora, presidenta, a sua tesoura pelo jeito não corta nem manteiga.


CELSO BOTELHO

18.04.2011