sexta-feira, 14 de novembro de 2008

OPORTUNISMO PARTIDÁRIO, DEVANEIOS DO MINISTRO E CPI DAS ONGs


Na esteira da velhacaria que é a MP 446 que premia a corrupção, a fraude e outras safadezas encontra-se o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) que deve apresentar emenda ao autoritário instrumento do Executivo (Medida Provisória é a versão moderna dos famigerados Decretos-Lei do regime militar) estendendo o benefício da isenção fiscal para os partidos políticos que cometem irregularidades que são, rigorosamente, todos. De acordo com a proposta somente após transitar em julgado a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em considerar irregulares as contas dos partidos é que se poderá proceder aos trâmites para a suspensão da isenção tributária. De acordo com minha experiência de vida o diabo vai ser esse “transitado em julgado” no TSE. Em dezembro do ano passado a Receita Federal suspendeu a imunidade de sete partidos políticos (DEM, PTB, PT, PSDB, PP, PMDB e PR), porém, com a aprovação de tal emenda o leão teria que enfiar o rabo entre as pernas. Mas, segundo o senador, estão fazendo tempestade num copo d’água com a MP da Filantropia porque a considera positiva e avalia que não deram imunidade aquelas que praticaram irregularidades. Ora, senador, acorda!


Para não fugir ao gosto presidencial pelas metáforas (algumas idiotas e outras imbecis) o ministro das Relações Institucionais José Múcio Monteiro, após reunião do “Conselho Político” do governo foi categórico: “ a Medida Provisória tem mérito e conteúdo excelentes, mas talvez tenha desafinado no canto.” Que canto? Está parecendo o samba do crioulo doido, do cabloco matreiro, do mameluco desvairado e do branco sórdido. A convicção do objetivo moralizador da MP invadiu o ministro de maneira avassaladora a ponto de afirmar que “a ação do governo é necessária, moralizadora, mas talvez a pressa tenha causado algum mal entendido.” Pressa? Mal entendido? Vamos refrigerar a cabeça do ministro informando que as irregularidades não começaram ontem, ou antes, de ontem. O próprio governo do qual faz parte vem investigando a maracutaia desde 2003 numa ação conjunta com a Polícia Federal, Ministério Público, Procuradoria da República e Ministério da Previdência Social. Menos, ministro. Menos. As explicações que o governo insiste em passar para justificar o esbulho é igual baton na cueca: não tem explicação.


Mês passado a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das ONGs fez um aninho de existência sem qualquer resultado, aliás, com um único resultado: queimar o dinheiro do contribuinte. Com a munição agora oferecida pelo governo através da MP 446 seus integrantes estufaram o peito e dizem-se preparados para uma maior ofensiva. Balela. Estão arrotando tubarão sem sequer haverem comido sardinha. Todos sabem que um dos negócios mais rentáveis no Brasil é constituir-se uma ONG para saquear os cofres públicos impunemente. Recebem o dinheiro público e dele não prestam contas sem que sejam molestados. As ONGs foram estimuladas, encorajadas e protegidas pelo Partido dos Trabalhadores ao longo dos anos que respaldaram (e ainda respaldam) o presidente Lula, O Ignorante, que se tornou um refém voluntário de seus caprichos. Tai as ações terroristas e subversivas de alguns desses movimentos sob o olhar complacente do governo petista. Nesta relação PT e ONGs com toda certeza a agremiação político-partidária obteve o que historicamente se chama “A Vitória de Pirro” (318-272 a.C.). As CPIs estão desmoralizadas ao extremo e mostram-se tão úteis quanto uma geladeira na Antártica. No Congresso Nacional estão sempre negociando, tramando, conspirando e, sendo assim, tanto a MP 446 em seu texto original ou com modificações que não modificam coisa alguma quanto a emenda do senador têm reais chances de serem aprovadas com louvor. Afinal, os avaliadores são parte interessada.


CELSO BOTELHO

14.11.2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

MP 446: O ELEFANTE VORAZ


Uma possível aprovação da Medida Provisória 446 na Câmara dos Deputados não poderia surpreender o mais inocente dos brasileiros. Caso o governo edite MP revogando a lei da gravidade encontrará naquela Casa apaixonados defensores desta idéia de jerico. Como sempre afirmo naquele parlamento passa boi e passa boiada com muita desenvoltura, apesar do mau cheiro exalado por seus rastros de bosta. O que se poderia esperar do líder do governo deputado Henrique Fontana (PT-RS) e a base governista senão dizer amém para o Palácio do Planalto? Segundo o parlamentar a MP 446 é moralizadora. Certo. Moraliza a fraude e demais sacanagens de todas as entidades “pilantrópicas” com apenas uma canetada. Muitas dessas “entidades” contam em suas hostes com número expressivo de figurinhas carimbadas que praticam o hediondo esporte de surrupiar os cofres públicos em bilhões de reais. Mas o governo e seus asseclas juram de pé juntos que a intenção é moralizar. Para inicio de conversa de boas intenções o inferno está cheio sem, contudo, encontrar-se com lotação esgotada. Passar uma borracha não me parece ser a fórmula mais adequada, inteligente ou satisfatória para solucionar a questão. Devemos analisar, entre outros, dois fatores fundamentais que permitiram a criação, existência e a proliferação destas entidades. Primeiro: a incompetência do Estado em atender as demandas da sociedade talvez por encontrar-se ocupado demais em prover seus integrantes de benesses inconfessáveis esbulhando-a de todas as formas. Segundo: a adoção de legislação que pudesse contemplar as sanguessugas agarradas ao poder que passariam a justificar a origem do sangue sorvido da sociedade. De qualquer maneira a filantropia no Brasil é uma portentosa indústria de gatunos e seu funcionamento está garantido pela conivência, leniência e complacência das autoridades que dela são fortes acionistas.


Seria injusto caso deixasse de falar do Senado Federal porque lá também passa boi e boiada. Posso até admitir que a passagem do gado encontre algumas resistências, porém, nada que uma “negociação” não possa flanquear o caminho do rebanho. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) líder do governo FHC, do governo Lula e, se bobear, será líder do Hezbollah (Partido de Deus) ou do Talibã (aqueles que estudam o livro) levando consigo a senadora Ideli Salvati (PT-SC) e o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) defende a pantomima como, aliás, é sua praxe. O senador deveria informar-se melhor a respeito da velhacaria que é a MP 446 antes de abraçá-la e dar tapinhas em suas costas como determina o Palácio do Planalto mesmo porque ambos têm a obrigação de atender a sociedade e não atentar contra ela. Em março deste ano o então ministro da Previdência Social e atual prefeito eleito de São Bernardo o pelego Luiz Marinho ensaiou a maracutaia com o Projeto de Lei 3021/08 enviado ao Congresso Nacional em julho. Mas o governo petista tem urgência em zerar o passivo das entidades que fraudaram a torto e a direito. A Operação Fariseu mostrou claramente que as grandes entidades são useiras e viseiras em burlar todos os requisitos exigidos pela lei.


Se é que está valendo o parágrafo 5º do Artigo 195 da Constituição Federal (“nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado, estendido sem a correspondente fonte de custeio total”). A partir do momento que o governo promove uma renúncia fiscal irrestrita sem indicar as fontes de custeio está ferindo frontalmente a Carta Magna o que, aliás, não é novidade. Existe um relatório da AGU (Advocacia-Geral da União) que aponta oito conselheiros do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) de haverem praticado improbidade administrativa respaldado na análise de dados apreendidos e investigados na Operação Fariseu (que poderá sofrer esculhambações como a Satiagraha a fim de preservar algumas figuraças). A orgia com o dinheiro público nestas entidades é de embasbacar qualquer cristão, ateu ou mulçumano. As entidades filantrópicas são uma caixa-preta que abertas estarrecerão a nação, porém, o governo se empenhará ao máximo para que tal não aconteça tal o seu envolvimento ali registrado. O golpe assentado na MP 446 não deverá ser levado adiante sob pena de assistirmos continuadamente a perpetração de outros semelhantes e até mais lesivos ao Erário. Concretizando-se o esbulho estarei mais convicto de que os pilantras se encontram em ambos os lados e que o Estado brasileiro está, de fato e de direito, acelerando seu processo de decomposição.


CELSO BOTELHO

13.11.2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

MP 446: PERDÃO COM O DINHEIRO DOS OUTROS


Meu cardiologista foi taxativo comigo: pare de fumar. No entanto, não me alertou para deixar de ler jornais e revistas (exceto as de mexericos televisivos e quadrinhos), assistir telejornais, ouvir noticiários radiofônicos ou freqüentar páginas na internet que possam informar-me e, sendo assim, prossigo minha vidinha de hipertenso com dose cavalar de medicamentos para não sucumbir repentinamente ou, pelo menos, tentar evitar tal desfecho. Certo também que, caso me orientasse nesse sentido, jamais lhe iria obedecer. Estava eu cá refestelado em minha cadeira a matutar, quieto feito cobra cascavel aguardando a hora do bote quando abro o jornal e me deparo com mais uma destrambelhada Medida Provisória devidamente assinada pelo presidente Lula, O Ignorante. Primeiro fiquei curioso, a seguir incrédulo e por fim furioso. Devo admitir que o presidente seja insuperável no dizer bobagens e no fazer besteiras. A pérola da vez é a MP 446 que concede anistia as entidades filantrópicas ameaçadas de perderem a isenção fiscal. Mais de 2.200 entidades tiveram seus certificados automaticamente renovados, incluindo as que candidamente se encontram sob suspeita de fraudar o governo federal para obter ou renovar suas petecas legais.É do domínio público que, salvo exceções (sempre se pode separar o joio do trigo), considerável parte de tais instituições são, na verdade, praticantes sistemáticas da “pilantropia.” Segundo o Ministério Público a traquinagem garantirá uma isenção de mais de R$ 2 bilhões às entidades. A coisa é simples: quem tem o certificado negado por causa de alguma sacanagem fica obrigado a devolver os valores que eram devidos e não recolhidos durante a isenção. Com esta mimosidade da MP 446 a Receita Federal ficará chupando os dedos porque fica impedida de cobrar os safados.


Para justificar o embuste um aloprado qualquer mencionou que os governos Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) procederam de forma semelhante e (ai está o diferencial do magnamino governo petista) não resolveu o problema. Os “iluminados” petistas, matemáticos supimpas, estabeleceram, de fato, o valor do “x” do problema: ninguém precisa pagar porcaria nenhuma. Assim é fácil. Segundo consta existem mais de 8.000 entidades filantrópicas no Brasil e, somente em 2007, com essas isenções obteve-se uma renúncia fiscal da ordem de R$ 4,4 bilhões e os dados disponíveis deste ano apontam R$ 3,6 bilhões nos nove primeiros meses. Essa conversa de invocar o governo anterior como responsável até por ter atiçado fogo no inferno não convence nem o mais idiota dos brasileiros. E, afinal, o governo anterior, segundo sei, era petista. Essa relação de amor e ódio do Partido dos Trabalhadores e seu metalúrgico maior com o PSDB e seu sociólogo maior é - no mínimo - imbecil, se é que entendem a sutileza. Alegam não haver tempo hábil nem estrutura, mas se o problema data da era FHC porque ainda não resolveram? Em 2003 o ministério da Previdência designou fiscais em conjunto com a Procuradoria da República, Ministério Público e Polícia Federal combaterem as “entidades pilantrópicas” e a coisa deu na Operação Fariseu (tai. Gostei do nome) que este ano prendeu advogados e integrantes do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social). Os “pilantropos” foram apanhados com a boca na botija através de grampos autorizados pela Justiça. A partir de agora as atribuições do CNAS passarão a ser dos ministérios (Desenvolvimento Social, Saúde e Educação) as quais estiverem ligadas as entidades filantrópicas. Registre-se o fato de que os ministérios não possuem meios para dar conta do recado. Mas isso não importa, pois, a “boa vontade” ministerial é inesgotável.


A farra do boi aloprado da MP 446 é abrangente: considera extintos todos os recursos em tramitação e decide a favor das entidades. Todas as entidades que pediram renovação da isenção fiscal serão atendidas automaticamente. As que tiveram seus pedidos de renovação negados e que deram entrada em algum recurso serão atendidas sem maiores análises. Também ficam extintos os recursos que questionam os certificados de algumas entidades inclusive aqueles patrocinados pelo próprio governo federal. Como notórios populistas, demagogos e cínicos que são o ministério da Previdência tenta tapar o sol com a peneira informando que o curto espaço de tempo para uma análise mais profunda poderia prejudicar a prestação dos serviços oferecidos pelas entidades a população como se, realmente, tal pasta venha a se importar com a população. O governo, uma vez mais, está premiando a velhacaria com este perdão bilionário lesando de forma descarada toda a sociedade brasileira. A MP 446 mostra-se inconstitucional e, portanto, deve ser rechaçada.


CELSO BOTELHO

12.11.2008

terça-feira, 11 de novembro de 2008

SATIAGRAHA: PARA CONFUNDIR E NÃO PARA EXPLICAR


Podem dizer o que quiserem, porém, para mim não há qualquer fato novo no caso do sei-lá-o-quê Daniel Dantas. Extrapolar os limites legais durante uma investigação é uma prática tão corriqueira quanto abrirem-se os olhos ao acordar. Não que possa justificá-la, no entanto, já que é para levar ao pé-da-letra então devemos desenterrar uma infinidade de casos onde a velha e boa prática da investigação e forense foi varrida para embaixo do tapete. Todo esse barulho tem por objetivo manter aparências honradas, sejam pessoais ou econômicas. Tudo me leva a crer que existe somente um desejo ardente, selvagem e avassalador de que se promova mais confusão no enredo para beneficiar canalhas notórios, oportunistas inveterados e criminosos de toda a ordem. A possibilidade, ainda que remota, de contemplar Daniel Dantas & Seus Quadrilheiros Amestrados com belas e confortáveis selas existentes no sistema prisional brasileiro apavora o governo petista, o ex-governo peessedebista, associados e ex-associados. Sendo assim as trapalhadas estão explicadas, pois, não há como imaginar diferente. A tal CPI dos Grampos é, em síntese, igual suas antecessoras: quando apuram alguma coisa é somente o que interessa a este ou aquele, a isto ou aquilo, lá ou acolá. No mais é puro desperdício do rico dinheirinho do esmagado contribuinte que fica a financiar, a contragosto, palanques eletrônicos para Suas Excelências os senhores deputados e senadores arvorarem-se como intrépidos e intransigentes paladinos da justiça quando, na verdade, não passam de demagogos emperdenidos, hipócritas convictos e tralhas imprestáveis à sociedade.


Por ocasião dos “prende e solta” do suposto banqueiro, o ministro da Justiça Tarso, O Genro, declarou que seria muito “difícil” que o acusado provasse sua inocência. Difícil, mas não impossível, não é ministro? Ainda segundo o jurisconsulto-mor “não existem mais intocáveis neste país.” Resta saber a que país estava se referindo. Posso relacionar diversos nomes de calhordas de todas as cores e para todos os gostos a qualquer momento que se encontram intocáveis ou nesta condição vieram a falecer. Todos os personagens envolvidos neste caso demonstram, seja por atitudes ou palavras, cabalmente o arraigado instinto de autopreservação. Mas, a bem da verdade, este senhor é mais um, entre milhares de outros, trapalhões cínicos pendurados na administração pública federal. Como disse ontem todos são culpados por uma razão ou por outra, não importa. Daniel Dantas montou e operou um dos mais rentáveis esquemas de corrupção e roubalheira de que se tem notícia onde diversas figuras da República se locupletaram anos a fio. A bagunça é intencional e será cada vez mais propositada. O Partido dos Trabalhadores fizeram, entre outras, a opção pelo Estado policialesco imaginando aniquilar de vez a incompetente e também mercenária oposição brasileira para consolidar o sonho de perpetuarem-se no poder. Porém, o tiro está saindo pela culatra.


O descumprimento da lei, a falta de decoro, o banimento da ética profissional, o atropelo sistemático aos direitos da sociedade, a complacência e conivência com ilícito, o desrespeito à figura humana são tão constantes quanto o nascer do sol ou as ondas do mar. Mas, alegrem-se, tudo isso tem jeito. Ah, tem! Um dia tem.


CELSO BOTELHO

11.11.2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

TODOS SÃO CULPADOS


O Brasil tem leis demais ou de menos. Fica impossível desenvolver-se um raciocínio minimamente lógico diante da balburdia no Judiciário. Cada qual invoca a lei de acordo com seus interesses imediatos ou futuros tendo plena consciência de que pode perfeitamente distorcê-la quando e aonde quiser. O governo petista fica a vangloriar-se das operações efetuadas pela Polícia Federal “como nunca antes na história deste país.” O que me parece é que não passam de jogada de marketing, pois, os resultados são extremamente pífios diante do barulho produzido. E, eis o cerne da questão, nada se faz de fato para inibir-se as safadezas que sugam os cofres públicos. Penso até que estas operações se prestam mais a esclarecer os pontos frágeis (e são muitos) da legislação e das velhacarias apontando caminhos para maior sofisticação do esporte favorito de um contingente apreciável: a corrupção.


O depenado contribuinte arca com os custos de uma investigação longa, entre tantas outras, batizada de Satiagraha que, aliás, é uma afronta a memória do pacifista Mahatma Gandhi (1869-1948). Posto que o termo signifique firmeza na ou da verdade (em sânscrito “satya” quer dizer verdade e “graha” firmeza) ao levar-se em conta mais este imbróglio da Polícia Federal que começou em 2004 ainda numa tal de Operação Chacal (ai sim posso até concordar com o nome) que indiciou o sei-lá-o-quê Daniel Dantas e outros cupinchas por espionagem. Segundo a PF as informações sobre a quadrilha especializada em aliviar os cofres públicos foi transmitida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo. O mesmo STF que agora confirma a liberdade do quadrilheiro por nove votos a um. Em 08 de julho deste ano foram presos Daniel Dantas, Naji Nahas (este quebrou a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1989) e o ex-prefeito Celso Pitta (este “pittou” a prefeitura da Cidade de São Paulo). Ai começou a pendenga. O juiz Fausto Martin De Sanctis (insolente, insólito e ilícito, segundo o STF) prendeu o suposto banqueiro e o STF o libertou. Então o “noviço” De Sanctis, ainda segundo o STF, tornou a prendê-lo e a Suprema Corte voltou a soltá-lo. O delegado Protógenes Queiroz que conduziu as investigações foi afastado e deve ser indiciado por uma cacetada de crimes (prevaricação, quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, grampos e filmagens clandestinas e sabe-se mais o quê). Interessante é o fato que ao longo dos anos na instituição o policial não tenha sido apanhado cometendo estes ou outros delitos, porém, sempre poderá haver uma primeira vez e, se de fato os cometeu, que se puna. Mas para isso deveriam punir todos os outros que praticam estes crimes a torto e a direito e com uma desenvoltura ainda maior do que no regime militar (1964-1985).


A blindagem para proteger o dito banqueiro Daniel Dantas reforçar-se dia após dia. Para mim é notório tratar-se de atos de autopreservação tal o envolvimento de ilustres personalidades desta maltratada República. A novidade agora fica por conta do pedido do inveterado velhaco que questiona a imparcialidade e a associação do juiz De Sanctis com o delegado Protógenes Queiroz e o procurador da República Rodrigo de Grandis só para ferrar-lhe a vida solicitando o afastamento do magistrado ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região em São Paulo. Vamos aguardar o bicho que vai dar.


No final das contas temos o seguinte: um vigarista que jura ser tão inocente quanto a Branca de Neve. Um delegado que extrapolou no exercício de suas funções. Um juiz “insolente, insólito e ilícito” “noviço” e acusado de parcial. Um procurador que conspira contra um cidadão que está sendo acusado por bagatelas (sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção, gestão fraudulenta e outras coisitas). Uma Corte que se vale de dois pesos e duas medidas na maior cara-de-pau. Uma legislação capenga e maleável e um governo apavorado diante da possibilidade da atitude radical dos envolvidos de “vão-se os meus, mas vão-se os teus.” Todos, portanto, são culpados. Será, certamente, mais um caso de impunidade para juntar-se a imensa lista que o país possui.


CELSO BOTELHO

10.11.2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

NEGÓCIOS, NEGÓCIOS. AMIGOS À... INCLUÍDOS.


“AOS AMIGOS OS BENEFÍCIOS DA LEI. AOS INIMIGOS O RIGOR DA LEI E AOS INDIFERENTES A LEI.”


Tecnicamente o STF (Supremo Tribunal Federal) pode até justificar a decisão de manter em liberdade o sei-lá-o-quê Daniel Dantas (segundo consta ele não é o dono, sócio, diretor ou outra porcaria qualquer no Banco Opportunity, apesar de fazer “negócios” em seu nome). Porém, em outras ocasiões, não aplicou a técnica para decidir sobre assuntos infinitamente mais relevantes para a nação como, por exemplo, o Caso Collor que primou pelo atropelo de prazos e ritos processuais numa negação implícita ao direito de ampla defesa que, por acaso, está na Constituição Federal. Apeou-se do poder um presidente constitucionalmente eleito de forma premeditada e deliberada. Repito: não tenho procuração nenhuma do ex-presidente, no entanto, cabe lembrar que o pau que dá em Chico tem que dá em Francisco, ou não? Ao que me parece a lei não está escrita para beneficiar ou prejudicar o cidadão (exceto, por exemplo, a Lei Fleury que acabou beneficiando outros pulhas), portanto, uma vez mais estou inclinado a dizer que houve sim a adoção de dois pesos e duas medidas. O Sr. Daniel Dantas não é nenhum novato em tramóias. Cobra criada. Amigo do poder (seja ele bicudo ou estrelar). Não estou a propor a fogueira da Santa Inquisição para quem quer que seja e, como cidadão, não é com bons olhos que assisto um notório cafajeste receber o maior bem do ser humano (a liberdade) enquanto que centenas de ladrões de galinha superlotam os estabelecimentos prisionais onde a degradação é alarmante. Não que estes não mereçam o castigo, porém, no catre ao lado em sua sela deveria estar muito colarinho branco. Mas estes contam com advogados matreiros constituídos a peso de ouro que sabem, exatamente, onde estão os vazamentos na máquina judiciária explorando-os à exaustão. A História está fartamente ilustrada por inúmeros casos de personagens ilustres que não foram alcançados pela justiça devido às manhas e artimanhas legais.


Caso o juiz Fausto Martin De Sanctis da 6ªara Criminal Federal tenha cometido “ato insolente, insólito e ilícito” ao não prestar informações ao STF sobre as investigações abertas contra Daniel Dantas como afirmou o ministro Celso de Mello então fico a matutar cá com os meus botões, velcros e zíperes de que maneira conseguiu tornar-se um juiz federal? Não é admissível que um magistrado possa desconhecer o funcionamento do judiciário, ou não? Já o vice-presidente do STF ministro Cezar Peluzo disse que “os juizes, muito noviços, não são corregedores do STF.” Então porque se permite juízes “noviços” (leia-se destrambelhados) no judiciário? Os critérios para alçá-los à magistratura podem estar rococós.


Segundo o STF ambas as prisões de Daniel Dantas eram desnecessárias. Pois é, a de Salvatore Cacciola assim também foi considerada e só o apanhamos anos mais tarde devido um descuido seu. O suposto banqueiro, em liberdade, poderá exibir uma performance melhor no mister de coagir, intimidar, educar ou adquirir testemunhas, suprimir ou adulterar provas ou, simplesmente, dar no pé. A Corte máxima entendeu também que as prisões se deram baseadas em “meras suposições.” O calhorda dá um passeio pelo Código Penal (formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, corrupção, sonegação fiscal), vai depor em CPI, tem como companheiros de prisão Naji Nahas e Celso Pitta, mas tudo não passa de “mera suposição.” Deve ser culpa também da imprensa que, segundo o presidente Lula, O Ignorante, só sabe focar notícia ruim (ainda bem que ainda não disse que a imprensa as fabrica!). Ora, fala sério! A presunção de inocência é argumento imbatível quando se trata de proteger pessoas e interesses. Vale, inclusive, até denegrir a imagem de um integrante daquele poder para atender demandas inconfessáveis. Na minha humilde avaliação estabeleceu-se o pacto do silencio. Foi-se o tempo de que eram negócios, negócios. Amigos à parte.


CELSO BOTELHO

07.11.2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A IMPRENSA NÃO É O BANDIDO NEM O MOCINHO.


Mesmo que as oportunidades não apareceram o presidente Lula, O Ignorante, sempre vai achar um espaço para dizer alguma bobagem. A imprensa, costumeiramente, é atacada e até ameaçada com seus (e de seus associados) arroubos de autoritarismo em desejar amordaçá-la. Chego a imaginar que o presidente sonhe em transformar todos os veículos de comunicação numa imensa “A Voz do Brasil” para cantar em prosa e verso as maravilhas de sua administração ou – quem sabe? – num “Pravda” tupiniquim. Os petistas usaram e abusaram da imprensa durante longos anos informando-a, sugerindo e manobrando-a utilizando os mais diferentes expedientes de acordo com os seus interesses. Eram pedras e pouco se importavam quais as vidraças que quebrariam. Porém, a partir de 2003, as posições foram invertidas e não estão nem um pouco confortáveis com isso. Não me lembro, na História Republicana brasileira, de um único presidente que tenha sido obrigado a ocupar o cargo. Como diria o saudoso Vicente Mateus, ex-presidente do Coranthians (em cuja torcida inclui-se o presidente) “quem está na chuva é para se queimar.” Portanto, o governante é eleito para governar e de preferência bem.


Leio os jornais e não vejo só más notícias. A respeito da crise financeira internacional e das medidas que o governo está tomando tenho lido artigos e comentários de economistas, cientistas políticos e outros especialistas de que o caminho está correto (mesmo considerando-se as divergências). A manutenção das taxas de juros no mesmo patamar na última reunião do Copom (Conselho de Política Monetária) foi elogiada (mesmo porque não faria sentido algum em reduzir ou elevar). Podem ser detectados acertos e erros, no entanto, os primeiros estão em vantagem. Bingo. Ao que me parece matérias assim não depõe contra o governo do Sr. Luiz Inácio que está choramingando à toa. É preciso que se diga, até exaustivamente, sobre as lambanças governamentais mesmo que isso o contrarie. Mesmo porque o Partido dos Trabalhadores ou qualquer outro não são, nem em tese nem na prática, senhores absolutos deste país e seus integrantes não se acham acima do bem e mal, apesar dos incontáveis egocêntricos.


O presidente reclamou que em 2004 ao inaugurar uma turbina em Tucuruí, no Estado do Pará, jogou um papel do bombom que havia comido no chão e isso foi notícia. Queixa-se de preconceito. Ora, vejam! O que esperava? Caso tivesse sido eu o autor da “sujismundíce” ninguém daria importância e, certamente, jamais me pegariam na infração, pois, neste caso, enfiaria o papel num dos bolsos do meu terno para descartá-lo em lugar apropriado. O presidente não pode se dar ao luxo de falar ou fazer qualquer bobagem sem que seja noticiado e, posso admitir, muitas vezes até de maneira exacerbada. Não creio que a imprensa deva omitir-se em divulgar para a sociedade os mensalões da vida; os sanguessugas; os Daniel Dantas; a liberdade com que se grampeia neste país; o trabalho escravo infantil; a insegurança presente em todos os estados desta suposta federação; a desenvoltura do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) em agir de maneira subversiva e terrorista. Ou depredar as instalações no Congresso Nacional não é subversão? Destruir laboratórios inutilizando mais de vinte anos de pesquisas e interromper tráfego ferroviário não é terrorismo? O aumento do desmatamento; a lama na qual mergulhou o Senado Federal com as indiscrições, laranjadas e bois piratas do senador Renan Calheiros (PMDB-AL); a orgia de verbas de publicidade na SECOM (Secretaria de Comunicação) com e sem o Luis Guisken; a transação comercial entre a Telemar e a Gamecorp de propriedade do Lulinha; a violação de sigilo bancário pelo ministro da Fazenda Antonio Palocci de Francenildo, o caseiro que testemunhava as surubas sexuais, políticas ou financeiras; a farra do boi (e de outros animais) nos gastos públicos e a lista é comprida. O Lula operário não devia, mas se quisesse poderia até cuspir na calçada da 25 de Março. Porém, o Lula presidente a coisa muda de figura. Deve entender que sua estada é transitória (mesmo que consigam golpear a democracia e estabelecer um terceiro mandato) e o que deve prevalecer é a Instituição Presidência da República e qualquer um que a ocupe deve zelar pela liturgia do cargo, como gostava de dizer o ex-presidente Sarney (1985-1990). Ser exposto numa pegadinha da televisão espanhola pagando um mico internacional não condiz com o cargo. Pelas imagens percebo que o presidente, arrebentando de vaidade, pretendeu exibir sua popularidade em além-mar e deu com os burros n’água. Mas, para ele, a imprensa deveria ignorar. Como, aliás, deveria ignorar os terremotos, tsumanis, furacões, enchentes, estiagens, as geleiras derretendo, aviões que caem, os conflitos no Oriente Médio, a miséria na África, etc. etc. Ora, presidente, seria tão bom se o boi fosse feito só de filé mingnon, porém, o Criador o concebeu com ossos, cascos e chifres. Este episódio me faz lembrar o ex-presidente general Médici (1969-1974) que declarou ser o Brasil uma “ilha de tranqüilidade” num mundo tão conturbado e ai da pele de quem discordasse! Apesar da mortalidade infantil no Estado de São Paulo, o mais rico, ter avançado 10%; mais de 30% dos municípios não possuíam abastecimento de água; mais de 70 milhões de brasileiros eram desnutridos ou subnutridos, e isso era mais da metade da população; a tortura – esporte favorito do regime militar – era largamente praticada; os escândalos financeiros aconteciam e o país era o 9º Produto Nacional Bruto, mas só esta última notícia agradava aos inventores do “milagre brasileiro”. A imprensa estava amordaçada, assim como desejam alguns ainda hoje.


De fato. Um pedacinho de papel no chão não deveria ser o fim do mundo diante de uma administração infestada de corruptos e corruptores alguns amadores e muitos inveterados, porém todos nocivos. A imprensa não é o bandido ou o mocinho. A imprensa é o xerife.


CELSO BOTELHO

04.11.2008