
CELSO BOTELHO
10.09.2008

Na comemoração dos 200 anos do Ministério da Fazenda o tema do seminário foi a lengalenga de sempre: “Crescimento Econômico: crescimento com distribuição de renda”, porém, o insólito foi as encantadoras presenças da ex-ministra da pasta no governo Collor (1990-1992), o gênio que descobriu a fórmula para conter a hiperinflação: sem dinheiro, sem inflação, a ex-senhora Chico Anísio Zélia Cardoso de Melo (O povo é só um detalhe). Para aqueles mais jovens devo dizer que a economista Zélia Cardoso de Melo, quando de passagem pelo ministério, promoveu uma inédita apreensão de ativos e, de roldão, outras atrocidades. No evento registrou-se a esférica presença do ex-ministro do “Milagre Brasileiro” inventado durante o nada simpático regime militar (1964-1985) Antonio Delfim Neto ministro da fazenda de
Mas as pérolas não se limitam à presença física de representantes de momentos tão distintos da vida nacional. Elas ficam por conta do ministro Guido Mantega tais como: “a ex-colônia portuguesa pobre agora é uma potência emergente”, ao longo dos anos tenho escutado muita bobagem e esta, com certeza, irá para minha coleção particular porque, para começar, há duzentos anos, motivo do seminário, o Brasil ainda era colônia de Portugal (reprovado em História, ministro). Alardeou os feitos do governo do qual participa enaltecendo uma porcaria de reforma previdenciária em 2003? O que ocorreu na previdência social naquele ano sequer pode ser chamado de arremedo de reforma. Afiançou estar em curso um novo modelo econômico o ministro certamente não o expôs a ninguém, é secreto. Quanto a política social “revolucionária” no meu entender conceder Bolsa-Família e outros penduricalhos está mais para assistencialismo barato e eleitoreiro do que qualquer outra coisa. Para finalizar o ministro permitiu-se babar o ovo do presidente Lula, O Ignorante, reafirmando os “cumprumissos” deste para com o povo pobre ou vice-versa de que ao final do seu governo estariam realizando três refeições diárias. Talvez o notável ex-sindicalista Luiz Inácio imagine que o povo seja como os porcos, isto é, só precisam de comida. Na questão de geração de empregos tenho que concordar que o presidente vem se esforçando muito dado as incontáveis nomeações, criação de cargos, funções e órgãos. Conta bancária é de vital importância para que possamos contribuir, mediante pura, simples e legal extorsão com os repetidos recordes apurados nos balanços das empresas que compõem o sistema financeiro nacional. A concessão de crédito a torto e a direito, a exemplo do nocivo empréstimo consignado ou tal qual aconteceu no ínicio do século XX com o Encilhamento, leva aposentados e pensionistas ao desespero, fomenta a inadimplência e desarticula a economia. Preocupado com o lazer de uma vasta maioria de trabalhadores que ganham o supersálario de R$ 415,00 o simpático supremo mandatário da nação quer que viajemos, nem que seja do nada para lugar nenhum. Mas eu entendo o ministro. São tempos bicudos. Emprego está difícil e a prudência recomenda subserviência total. Manda (ou promete) quem pode, obedece quem tem juízo.
Como disse ontem, a camada pré-sal está incumbida de salvar o país de tudo. Desde coco de cachorro na praia até os maléficos efeitos decorrentes do aquecimento global. Segundo o ministro Mantega o governo petista, para a honra e glória de sua figura número um, colocou o Brasil na rota do crescimento sustentável. O diabo será descobrirmos que a bússola estava com o pólo invertido ou, sendo um GPS, poderia ser paraguaio. Num rompante de ufanismo o ministro sentenciou: “o Brasil deixou de ser um país do presente e do passado para ser um país do futuro.” Essa ladainha há pelo menos trinta e lá vai caroço de anos que ouço. Já que falei da ditadura e ufanismo sugiro desenterrar o slogan safado do regime militar de uma vez: “Brasil. Ame-o ou deixe-o”.
CELSO BOTELHO
09.09.2008
Educação, assim como tantas outras coisas, jamais passou sequer perto de ser uma prioridade da classe dirigente brasileira em qualquer tempo de nossa História. O velho chavão de “quanto mais ignorante o povo for melhor para as elites” encontra-se em pleno uso ainda que tenhamos entrado no terceiro milênio. A máxima do imperador romano Júlio César (
Agora o presidente Lula, O Ignorante, homem bom de parola, tenta nos enganar desejando tirar um dinossauro da surrada cartola de um mágico de meia-tigela: a camada de pré-sal será a redenção da nação e solucionará todos os entraves para que ela desperte do berço esplêndido de cinco séculos. Para começar e se tudo correr e escorrer bem só começaremos a ver o petróleo jorrar lá por volta de 2010 e depois como saber qual a rentabilidade que teremos? Jorrará recursos abundantes para investimentos na educação e pererê pão-duro. Pura falácia para justificar empurrar com a barriga e, quando não for mais possível, agarrar-se em outra coisa parindo um novo plano que certamente não dará em nada, mas cumprindo com o objetivo de manter o povo ignorante prontinho para ser manipulado e guiado ao equívoco. O presidente diz que vai fazer uma omelete, no entanto, a galinha sequer pôs o ovo.
A notícia é que garfaram da educação mais de R$ 20 bilhões e imagino onde tenham ido aportar. Cá entre nós, segundo consta, não se deve esperar outro comportamento de alguém que prefere assistir à novela das oito a ler uma página de um livro.
CELSO BOTELHO
08.09.2008
O ministro da Defesa Nelson Jobim, O Estrategista Esquecido, afirmou e reafirmou que a ABIN (Agência Brasileira de Informações) possui equipamento destinado a interceptar ligações telefônicas, as tais maletas. O chefe do Gabinete de Segurança Institucional o general Jorge Félix, O Ingênuo, de pronto negou para depois contradizer-se e assim o bate-boca instalou-se e as comadres começaram a contenda.
O ministro da Justiça Tarso, O Genro, correu esbaforido para desencravar um projeto de lei que trate da matéria e puna com rigor os infratores. Antes de ir para o Congresso Nacional deverá passar pelo crivo da ministra chefe do Gabinete Civil Dilma Roussef, mãe do PAC. Entre outras coisas prevendo a reclusão de até quatro anos para o bisbilhoteiro ilegal, mas pergunto, será que tal pena não poderá também ser revertida para pena alternativa a exemplo do que ocorreu com o ex-secretário geral do Partido dos Trabalhadores Silvio Pereira?
Mas o achincalhe ficou por conta do laudo oferecido pelos engenheiros do Exército que periciaram os dez aparelhos que lhes foram entregues. Concluíram de que tais geringonças só poderiam interceptar ligações telefônicas nelas acopladas outras geringonças. Pode até estar correto o laudo não fosse pelo pequeno detalhe de quem forneceu os dez equipamentos à perícia foi a própria ABIN que, por sinal, é o pivô do escândalo, ou melhor, do atentado à democracia. O delinqüente fornece as provas do delito à perícia e não piada sobre os patrícios de além-mar.
Neste momento não irei pedir a cabeça de ninguém, porém, entendendo que devo fazê-lo não me interessa se são sardinhas ou tubarões. No entanto, não vejo alternativa senão afastar-se mais gente envolvida no episódio que, a meu ver, são elementos detentores de poder suficiente para promoverem a obstrução e a destruição de qualquer índicio que os incrimine ou ao grupo ao qual estão ligados. Portanto, pouco me importa o estado de graça de Sua Excelência contanto que tome atitudes consistentes para que tudo seja investigado, esclarecido e, apurada as responsabilidades, puna-se de acordo com a lei sem esquecer-se de corrigir o sistema de inteligência brasileiro que ainda tem muito do ranço da ditadura.
CELSO BOTELHO
05.09.2008
Identificar os responsáveis pelas escutas telefônicas ilegais nos três poderes da República é obrigação do governo. Punir é com a justiça. Entretanto, isso não é o bastante. Caso não se repense todo aparato de inteligência que, sem dúvida alguma, está fora do controle do Estado e, eis o mais grave, a serviço de integrantes do governo por este ou aquele interesse. Violam sistematicamente as leis estuprando a nação. Cabeças têm e precisam rolar neste governo sempre às voltas com escândalos das mais diversas naturezas e sempre envolvendo autoridades. Estão pedindo a do ministro da Justiça Tarso, O Genro, do ministro das Relações Institucionais general Félix, do diretor-geral da ABIN Paulo Lacerda o que, por sinal, considero pouco dada o tamanho do imbróglio.
O presidente Lula, O Ignorante, afirma que tomará decisões severas. Não posso crer. O ex-ministro Silas Roudan está indiciado e exerce a função de conselheiro na Petrobrás e na Itaipu Binacional com proventos consideráveis. De que severidade o presidente está falando? A ABIN está subordinada ao Gabinete de Relações Institucionais e este à presidência da República então como se explica ninguém saber de coisa alguma? Ora, assim como o presidente, todos ignoram tudo, todo dia e toda hora. Cabe dizer que vivemos um governo de inveterados ignorantes. O fato é que o Estado Democrático de Direito foi maculado deliberadamente por seu órgão de inteligência e tanto neste governo como no anterior por incontáveis vezes. Durante a ditadura o aparato de informações era peça fundamental para a manutenção do Estado de Exceção patrocinado pelas Forças Armadas. Que medidas severas o presidente tomará? As mesmas que tomou com o “cumpanheiro” José Dirceu? Com o Palocci? Com a Matilde? Não é nada animador o histórico de severidades presidenciais.
Estou, deveras, impressionado com o espírito aguçado de detetive do general Félix. Um verdadeiro Sherloque Holmes tupiniquim. Apontou para três suspeitos: agentes da ABIN, o sistema instalado no Senado e o não-sei-o-quê Daniel Dantas. E, ministro, se nos aprofundarmos mais nas investigações poderemos apontar também os traficantes que dominam o Rio de Janeiro, a capenga oposição brasileira e o Cacciola. Das três opções do ministro a aberração está em sugerir o quadrilheiro Daniel Dantas simplesmente pelo fato de que para dispor de informações privilegiadas não necessitava recorrer às escutas. As obtinha de viva voz. Qual será a intenção? Arrisco dizer que é passar-nos um belo atestado de asnos.
Posso concluir que avisado da possibilidade de grampos no gabinete presidencial a situação é bem pior. Será o espião sendo espionado? O governo fuçando o governo? A tecnologia será que não está capacitada para impedir ou identificar de pronto uma violação desta monta? E tenho muito mais perguntas que, certamente, não serão respondidas ou não de maneira satisfatória. No ínicio da década de setenta o presidente americano republicano Richard Nixon, alvo de um impeachment, tornou-se o único e renunciar ao cargo em mais de dois séculos de História por cometer os crimes de perjúrio e obstrução à justiça e tudo começou com escutas plantadas na sede do Partido Democrata
CELSO BOTELHO
02.09.2008