sábado, 11 de abril de 2009

GREVE DE FOME NO BRASIL


A despeito da greve de fome de Evo Morales, presidente da Bolívia, torço para que a moda não pegue no Brasil tanto no Executivo como no Legislativo ou Judiciário porque, levando em consideração o espírito solidário do nosso povo, provavelmente as chances de verem seus pleitos atendidos poderiam ser concretizadas. Imaginem os quadros: o presidente Lula, O Ignorante, privado de saborear seu prato preferido, que tanto pode ser o jabá (um jabazinho é sempre bom) com jerimum ou um ensopadinho de calango regado por uma pinga de excelente procedência. Certamente seria uma tortura indescritível. Mas porque faria o presidente uma greve de fome? Ora, para qualquer coisa como, por exemplo, sensibilizar os renitentes do Congresso Nacional para aprovarem, sem mais delongas, o golpe do terceiro mandato, visto que fazer beiçinho e má-criação não tem dado resultado. O presidente do Senado Federal José Sarney, O Dinossauro, recusando um arroz de cuxá ou uma torta de camarão ou caranguejo enquanto não for aprovada a independência do Maranhão e sua aclamação como monarca absoluto. Ah, e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, O Bondoso, privado de uma curimba à moda matogrossense ou de um bom bocado de carne de jacaré frito (há uma variedade de pratos no seu estado que ignoram as leis ambientais), mas, finalmente, me perguntariam: porque diabos o ilustre jurisconsulto haveria de fazer uma greve de fome? Ora, simples, para que, além de presidente da mais alta Corte, fosse também seu único membro arbitrando solitariamente sobre o bem e o mal, o certo e o errado, o que pode e o que não pode, enfim quem prende e quem solta. Portanto, uma greve de fome protagonizada por estes senhores seria, sob o ponto de vista institucional, perigosa. Muito perigosa.


No entanto, há muitos membros nos três poderes que deveriam fazer greve de fome e nós fazermos pouco caso estimulando-os a prosseguirem, em pouco tempo desistiriam, porque levá-la ao extremo (a morte) com toda certeza jamais o fariam, o que seria uma pena.


CELSO BOTELHO

11.04.2009