domingo, 4 de março de 2012

CUTUCAR LEÃO COM VARA CURTA




Muito bem. “O presidenta” Dilma Rousseff encontrou cifre de boi na cabeça de jacaré. Bem feito. A lista de militares descontentes só faz aumentar. O manifesto (“Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão”) começou com 96 assinaturas, mas quando “a presidento” resolveu anunciar que os puniria pulou para 235 e já ultrapassa as 380 assinaturas e, entre eles, 42 oficiais-generais sendo dois deles ex-ministros do Superior Tribunal Militar. Continuando assim em pouco tempo todo o efetivo (ou boa parte dele) das Forças Armadas estará solidário ao manifesto e, neste caso, eu não gostaria de estar na pele “do presidenta” porque há de enfrentar sérias dificuldades. A lei 7.524 de 17.07.1986 diz textualmente, “Art. 1º Respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público.” A Súmula 56 do STF aprovada na sessão plenária de 13.12.1963 determina “militar reformado não está sujeito à pena disciplinar.” Dilma Rousseff está querendo inventar o que? A roda? Somente mesmo a arrogância e a prepotência podem justificar a atitude “do presidenta” ao manifesto dos militares. Definitivamente esta “gente” (PT e pocilgas associadas) não está preparada para o convívio entre os contrários, a democracia, a tolerância e o dialogo. São tão truculentos quanto os generais que tanto criticaram e denunciaram ou mais, pois se valem do Estado de Direito para distorcê-lo e impor seus interesses políticos e econômicos. Essa gente só tem capacidade de governar caso toda a população fosse de robôs programados para adorá-los e servi-los incondicionalmente. Olha, por muito menos os militares deixaram a caserna para interferir na política, a começar pela própria proclamação da República. Mas os tempos são outros e as mentalidades também. A geração de generais golpistas não existe mais. Porém, isto não quer dizer que não tenham feito escola, pelo menos para criar embaraços.





Essa Comissão da Retaliação, também chamada de Comissão da Verdade, pode vir a ser o estopim de grandes dificuldades para o governo petista a começar pelos sete membros que serão designados “pela presidento”. Torço para quem nenhum historiador, se convidado, aceite. Mesmo que esta Comissão estivesse se propondo a apurar os fatos e acontecimentos com a mais absoluta imparcialidade e para ambos os lados visando somente contar a história ainda assim a presença de um historiador não se justificaria. Não estamos negando o terrorismo de Estado, porém porque não apurar os crimes praticados pelos guerrilheiros que são idênticos (assassinatos, desaparecimentos, tortura, sequestro, justiciamentos, assalto, etc.)? Dilma Rousseff, reiteradas vezes afirmou que fora torturada sistematicamente nas dependências do aparelho repressor montado pelos militares, no entanto, não há provas disso ou seqüelas físicas e psicológicas que indiquem este fato. Aliás, ela teve até sua pena diminuída pelo regime militar. Por quê? De repente os milicos foram com a sua cara? Tiveram peninha? Não. Guerrilheira do calibre de Dilma não receberia tratamento tão especial sem dar alguma coisa em troca como, por exemplo, nomes, aparelhos e pontos. Porque a maioria dos guerrilheiros já chegavam às dependências do DOI-Codi se borrando pelas pernas abaixo e logo cantavam. Eram muito valentões em liberdade, intimidando gente inocente, assaltando bancos, casas comerciais, sequestrando, explodindo bombas que matavam e feriam homens, mulheres, crianças, idosos para atingir seu alvo. Esse pessoal está de fora da piada que é a Comissão da Verdade? Está. Porque foi inventada para dar inicio a uma retaliação oficial de pseudo-comunistas frustrados, incompetentes, incapazes de sequer unirem-se num único bloco para alcançar o diabólico fim que era implantar uma ditadura no estilo stalinista. E eles sabem disso. Estão no governo beneficiados com a Lei da Anistia que sonham em revogar. São tão incompetentes que só se deram conta do golpe quatro anos depois de 1964 quando os militares já haviam se apossado totalmente do Estado brasileiro consolidado sua presença e sofisticado seus meios de repressão. Vai ter gente querendo me rotular de direita e vou logo avisando que isso é besteira. Repudio qualquer tipo de ditadura, ditador, arremedos de ditador e candidatos ao nefasto cargo. O que não posso aceitar é usar a investigação histórica como fachada para “acertos de contas”. Não havia santos nem de um lado nem de outro. Os mesmos que defendem a crucificação dos militares (vivos e mortos) aceitaram a Lei da Anistia incondicionalmente, foram reintegrados à vida pública e esperaram trinta anos para se apoderar do poder para consumarem sua vingança pessoal. Na ocasião da promulgação da Lei da Anistia não concordei com os termos como ainda não concordo passados mais de trinta anos. No entanto, ela foi aprovada e está em vigor, portanto, cumpra-se. É ou não um caso de retaliação premeditada? O leão não está morto e, sendo assim, não creio que devamos cutucá-lo com vara curta.





As Forças Armadas vêm sofrendo retaliações desde que acabou o regime militar sendo sucateada, com salários aviltantes, desautorizadas, manipuladas e até chefiadas por políticos, politiqueiros e apaniguados de reputação questionável, incompetência comprovada e interesses duvidosos. Quanto a isso já dei nome aos bois em matéria publicada em 05.08.2011 (Ministério da Defesa: A Eterna Troca de Lambões). No entanto vou reproduzir um parágrafo do referido artigo e depois concluam porque os militares não reconhecem autoridade em Celso Amorim: “Desta feita nomeiam o ex-ministro lambão das Relações Exteriores Celso Amorim que apoiou a ditadura do Sudão e Cuba, entregou a Hidroelétrica de Itaipu para o Paraguai, deu de mão beijada nossas refinarias na Bolívia, não prestou homenagem a Theodor Herzl (1860-1904), jornalista judeu austro-húngaro que se tornou fundador do moderno Sionismo político, em Israel, mas depositou flores no túmulo de Yasser Arafat (1929-2004) e apoiou o débil mental do Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. Não parou ai. Na UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) apoiou o egípcio anti-semita Farouk Hosni que declarou não hesitar em queimar pessoalmente livros israelenses que encontrasse em qualquer biblioteca do Egito, desprezando o brasileiro Márcio Barbosa por motivos políticos e ideológicos, que contaria com o apoio dos Estados Unidos e dos países europeus. Em 2005 tentou eleger para a OMC (Organização Mundial do Comércio) Luis Felipe de Seixas Corrêa e o único país que votou no Brasil foi o Panamá. No mesmo ano tentou eleger nosso velho conhecido João Sayad para a presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e dos nove membros só quatro votaram no Brasil sendo que do Mercosul apenas a Argentina. A política externa brasileira na gestão de Celso Amorim está recheada de fracassos, concessões, conivências, conveniências, contradições e estupidez. Em 2006 o Brasil votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), porém em 2005 negou-se a condenar o governo do Sudão por proteger uma milícia genocida que praticara um massacre em Darfur (Até meados de 2006, entre 150 e 200 mil pessoas haviam sido mortas e pelo menos dois milhões haviam fugido). Em 2009 o Brasil cede sua embaixada em Honduras para abrigar sorrateiramente Manuel Zelaya ficando por lá quatro meses. O Itamaraty declarou que não toleraria governo golpista em Honduras e, logo a seguir, reuniu-se, reconheceu e confraternizou-se com os mais perversos ditadores africanos – responsáveis por inúmeros massacres étnicos. Baniu a língua inglesa como necessária para o cargo de embaixador e como eliminatória no exame de carreira. Não esqueçamos os fracassos inexplicáveis em relação às negociações de Doha. Dos 35 países que participaram o Brasil, certamente, foi o mais prejudicado. Nos últimos anos abandonou-se a formulação de acordos bilaterais apostando na multilateralidade da OMC. Em 2001 a estratégia brasileira era de que os países emergentes se unissem para pressionar os desenvolvidos. Em 2003 patrocinou a criação do G-20 que deveria agir unido para uma queda de braço com os países desenvolvidos. Em 2004 caiu a ficha que seus interesses aproximavam-se muito mais dos países desenvolvidos do que com os seus parceiros tradicionais então virou a cassaca e, com o fracasso da Rodada de Doha, ficou mal com todo mundo. Com um histórico desses não é preciso ser muito esperto para saber que devemos aguardar mais lambanças no ministério. Os militares já classificaram a escolha do novo ministro “como a pior possível” que a presidente poderia ter feito e isso se deve as posições ideológicas do novo titular. Segundo eles, Celso Amorim, quando nas Relações Exteriores, contrariou “princípios e valores” dos militares e isso não é bom, pois, afinal o leão pode estar moribundo, mas não morreu.”





Matéria publicada no blog Tribuna da Internet em 29.02.2012 dá conta de que o desastre na Estação Antártica Comandante Ferraz estava anunciado desde 2006 quando “o oficial de reserva da Marinha Antonio Sepulveda alertou, em artigo, sobre o estado de severa degradação em que se encontrava a estação, com o sistema elétrico defeituoso e vários outros problemas. No texto, publicado pelo Jornal do Commercio, Sepulveda afirmou que a estação não recebia manutenção adequada e que seu orçamento começou a sofrer cortes desde o início da década de 1990. “Alguns sistemas vitais se encontram comprometidos: rede de esgoto, proteção contra incêndios e transferência de energia elétrica”, escreveu. De acordo com o militar, em 2006, três tanques de combustível desabaram por conta de bases apodrecidas, o que poderia ter causado derramamento de óleo.” Mas não é preciso sair dos grandes centros urbanos para se constatar o quanto estão abandonadas as Forças Armadas. O governo petista (leia-se Lula e Corriola) talvez estejam pensando em substituir as Forças Armadas pelo MST (Movimento dos Sem-Terra), uma vez que este já é braço armado do PT. Nunca se sabe. Certamente também devem acariciar a idéia de rasgar a Constituição Federal, afinal de contas este é um dos esportes favoritos dos políticos, além da corrupção, é claro. Essa tal Comissão da Verdade foi criada como mecanismo legal para atender interesses pessoais, mesquinhos e inconfessáveis. E os militares estão corretos em posicionarem-se contra as declarações das ministras Maria do Rosário, Eleonora Menicucci e criticarem o aplauso de Dilma Rousseff a esta última e não reconhecendo a autoridade de Celso Amorim como coisa alguma, exceto um adorno de mau gosto.





CELSO BOTELHO

04.03.2012